Estudo revela o que acontece no corpo quando o envelhecimento acelera
Estudo revela o que acontece no corpo quando o envelhecimento acelera
Pesquisa com mais de 3,2 mil pessoas identificou sinais ligados ao sistema imunológico, ao metabolismo e à inflamação que ajudam a compreender o envelhecimento biológico.
Duas pessoas podem ter a mesma idade, mas apresentar condições de saúde muito diferentes. Enquanto uma mantém boa disposição e autonomia, outra pode apresentar sinais de fragilidade e maior risco de doenças. Para entender essas diferenças, cientistas investigam o chamado envelhecimento biológico, que nem sempre acompanha a idade registrada nos documentos.
Um novo estudo realizado nos Estados Unidos analisou cinco métodos usados para estimar a velocidade do envelhecimento e identificou processos moleculares associados a cada um deles. A pesquisa utilizou amostras de sangue de 3.227 participantes do Health and Retirement Study.
O que são os relógios epigenéticos?
Os chamados relógios epigenéticos são ferramentas científicas que utilizam informações sobre a metilação do DNA — alterações químicas que podem influenciar a atividade dos genes sem modificar a sequência genética.
Esses métodos são utilizados em pesquisas para investigar como o envelhecimento se relaciona com doenças, perda de capacidade física e risco de morte.
Segundo os pesquisadores, porém, ainda havia dúvidas sobre quais processos do organismo estavam por trás dos resultados apresentados por cada relógio.
Sistema imunológico e metabolismo estão entre os fatores
Ao comparar os cinco métodos com a atividade dos genes nas amostras de sangue, os cientistas identificaram diferentes sinais associados ao envelhecimento acelerado.
Alguns relógios apresentaram maior relação com a maneira como o organismo utiliza energia e com os processos de crescimento celular. Outros mostraram ligações mais fortes com a atividade do sistema imunológico e a inflamação.
Apesar das diferenças, os cinco métodos também compartilharam características relacionadas ao sistema imunológico, ao metabolismo e à comunicação entre as células.
Novas medidas podem ajudar a prever problemas de saúde
A equipe também desenvolveu novas medidas chamadas pontuações génicas de envelhecimento transcriptómico, conhecidas pela sigla TAGS. Em diferentes análises, essas pontuações tiveram desempenho superior ao dos relógios epigenéticos usados isoladamente para prever indicadores como fragilidade, velocidade da caminhada e ocorrência de doenças cardíacas, diabetes e doenças pulmonares, além da mortalidade.
Os pesquisadores afirmam que os resultados podem ajudar a escolher as ferramentas mais adequadas para cada tipo de investigação. Um método pode ser mais útil para estudar o sistema imunológico, enquanto outro pode oferecer informações mais relevantes sobre o metabolismo.
De acordo com a pesquisadora Eileen Crimmins, da USC Leonard Davis School of Gerontology, o estudo ajuda a esclarecer os processos moleculares que estão por trás dos indicadores de envelhecimento biológico.
Os resultados ampliam o conhecimento científico sobre o envelhecimento, mas não significam que esses testes possam determinar, sozinhos, a saúde ou a expectativa de vida de uma pessoa. São necessárias novas pesquisas para avaliar como essas descobertas poderão ser utilizadas na prática clínica.
Postado em 13/10/2026