Presidente do STF comenta possível atuação dos EUA e reforça soberania brasileira
Presidente do STF comenta possível atuação dos EUA e reforça soberania brasileira
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (9) que confia na soberania brasileira diante de questionamentos sobre uma eventual atuação militar dos Estados Unidos no país. A declaração foi feita durante a inauguração da nova estrutura especializada no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro, no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo.
Ao ser questionado por jornalistas sobre a possibilidade de os Estados Unidos utilizarem força militar no Brasil, Fachin respondeu de forma breve.
"O Brasil é um Estado soberano, e a soberania se exerce com firmeza e serenidade. Nós temos certeza de que isto há de prevalecer, quer aqui na região, quer no concerto global das nações", afirmou.
A declaração ocorre após o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, mencionar, no início da semana, a possibilidade de os Estados Unidos adotarem medidas relacionadas ao Brasil após classificarem as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Justiça amplia estrutura de combate ao crime organizado
Durante o evento, Fachin destacou a importância da nova estrutura do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), classificando a iniciativa como uma política pública do Judiciário que pode servir de referência para outros estados.
A reestruturação transforma as atuais varas especializadas em crimes tributários, organização criminosa e lavagem de dinheiro em unidades exclusivas para julgar processos ligados ao crime organizado e à lavagem de bens, direitos e valores.
Também foram criadas uma terceira vara especializada, uma Vara das Garantias, destinada à fase investigativa desses crimes, e uma vara voltada aos delitos contra a ordem tributária, econômica e licitações.
Segundo o TJ-SP, atualmente tramitam na capital paulista cerca de 2.885 ações penais e inquéritos relacionados ao crime organizado e à lavagem de dinheiro.
Bets e eleições também preocupam
Durante a cerimônia, o presidente do STF alertou para um novo desafio no combate às organizações criminosas: o uso de plataformas de apostas esportivas, as chamadas bets, para lavagem de capitais.
Fachin ressaltou que o enfrentamento desse tipo de crime exige atuação integrada entre o Judiciário e os demais órgãos de fiscalização e investigação.
Questionado sobre o risco de infiltração do crime organizado nas eleições, o ministro afirmou que a principal preocupação da Justiça Eleitoral continua sendo a violência política, mas destacou que o sistema eleitoral brasileiro está preparado para enfrentar esse tipo de ameaça, assim como ocorreu em pleitos anteriores.
O evento contou ainda com a presença do presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Francisco Eduardo Loureiro, que destacou a necessidade da reestruturação diante do aumento da complexidade dos processos envolvendo organizações criminosas.
Postado em 09/07/2026 - Por: Folha Press