Vereadora aciona MPF para investigar contrato de R$ 89,3 milhões da merenda escolar em Maringá
Vereadora aciona MPF para investigar contrato de R$ 89,3 milhões da merenda escolar em Maringá
A vereadora Professora Ana Lúcia encaminhou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) solicitando uma investigação de contratação, sem licitação, da empresa RC Nutry Alimentação Ltda. , que atua com o nome fantasia Ideal Alimentação , pela Prefeitura de Maringá. O contrato, homologado em 22 de junho de 2026, prevê a prestação de serviços de alimentação escolar na rede municipal e tem valor de R$ 89.327.160,00 .
Segundo o parlamentar, a contratação deve ser apurada pela esfera federal porque o serviço pode envolver recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) .
Na representação, Ana Lúcia solicita a investigação da conduta do prefeito Silvio Barros , da secretária municipal de Educação, Adriana Palmieri , e da empresa contratada.
Denúncia aponta “emergência fabricada”
De acordo com a representação, a Prefeitura utilizou uma justificativa de situação de emergência para realizar a contratação por dispensa de licitação. No entanto, a vereadora sustenta que a urgência não decorreu de um facto imprevisível.
O documento afirma que o município já acompanhava, há mais de um ano, problemas relacionados ao abastecimento da merenda escolar e à falta de profissionais nas cozinhas das unidades de ensino.
A denúncia classifica o caso como uma "emergência fabricada" , expressão utilizada quando a administração pública deixa de realizar o planejamento necessário e, posteriormente, utiliza a situação criada pela própria omissão para planejar uma contratação emergencial sem processo licitatório.
Segundo a representação, pareceres da Procuradoria-Geral do Município alertados a administração desde 2025 sobre o risco de caracterização desse tipo de situação. Um parecer emitido em setembro desse ano teria feito o primeiro alerta formal, enquanto outro, em fevereiro de 2026, reforçou a necessidade de concluir as licitações regulares.
Questionamentos sobre contratação e quadro de servidores
A vereadora também questionou por que a Prefeitura não realizou concurso público para recompor o quadro de funcionários ou concluiu, dentro do prazo, um processo licitatório definitivo para atender a rede municipal.
O contrato firmado prevê que a empresa disponibilize profissionais como merendeiras, lactaristas e nutricionistas para atuar nas escolas municipais.
Segundo a representação, há dúvidas sobre a forma de execução do contrato e sobre a convivência entre servidores municipais e trabalhadores terceirizados nas unidades escolares. O documento também questiona se a contratação é caracterizada por refeições completas ou terceirização de mão de obra.
Histórico da empresa também é relatado
Outro ponto levantado na denúncia diz respeito ao histórico da empresa contratada.
A representação afirma que um dos sócios da RC Nutry, José Carlos Geraldo , foi condenado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no processo relacionado ao caso conhecido como "máfia da merenda" , que investigou cartel e superfaturamento em contratos de alimentação escolar em municípios paulistas.
Segundo o documento, a sanção teria sido registrada no Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS) em agosto de 2021, com vigência até 18 de agosto de 2026 .
Como a contratação em Maringá foi homologada antes desses dados, a vereadora pede que o MPF verifique se existia impedimento legal para a empresa contratar com o poder público.
Casos em outros municípios
A representação também cita contratos e questionamentos envolvidos a empresa em outras cidades brasileiras.
Em São Luís (MA) , a RC Nutry firmou contrato emergencial de mais de R$ 51 milhões para fornecimento de merenda escolar, situação que gerou questionamentos sobre a dispensa de licitação e sobre o histórico da empresa. O documento também menciona denúncias relacionadas a demissões de trabalhadores e possíveis descumprimentos de direitos trabalhistas.
Já em Paulínia (SP) , a empresa foi mencionada em ação civil pública envolvendo contrato de alimentação escolar, com questionamentos sobre dispensa de licitação, ausência de situação emergencial e possível superfaturamento.
Pedido ao Ministério Público Federal
Na representação, a vereadora solicita que o Ministério Público Federal apure:
a legalidade da dispensa de licitação;
uma justificativa apresentada para a contratação emergencial;
a escolha da empresa;
eventual impedimento da RC Nutry de contratar com o poder público;
possível dano ao erário.
Ana Lúcia ressalta que a merenda escolar é um serviço essencial, mas afirma que essa condição não dispensa o cumprimento da legislação sobre licitações. O parlamentar pede que, caso sejam constatadas irregularidades, sejam adotadas as medidas cabíveis para responsabilização dos agentes públicos e da empresa envolvida.
Até o momento, a Prefeitura de Maringá e a empresa RC Nutry Alimentação Ltda. não tinha se manifestado sobre a representação encaminhada ao Ministério Público Federal.
Postado em 07/07/2026 - Com inf. Maringá Post