Heleno pode ir de “coroado” a banido do Exército por trama golpista
Heleno pode ir de “coroado” a banido do Exército por trama golpista
O ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, ícone da hierarquia militar e um dos poucos oficiais na história do Exército a conquistar o título de “tríplice coroado”, pode ver sua trajetória ser encerrada de forma humilhante. Acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de participação na trama golpista que buscava fragilizar a democracia brasileira, ele corre o risco de ser considerado “morto fictício” pelas Forças Armadas termo usado para militares expulsos após condenações na Justiça.
Segundo a denúncia da PGR, Heleno atuou ao lado do ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, para construir a narrativa de Jair Bolsonaro contra as urnas eletrônicas. O órgão afirma que o general não apenas preparou discursos junto ao ex-presidente, mas também anuiu a espionagens ilegais em benefício de Bolsonaro.
O procurador-geral Paulo Gonet sustenta que Heleno direcionou o aparato estatal para sustentar teses antidemocráticas.
“As anotações e falas públicas de Augusto Heleno não deixam dúvidas de sua inclinação a ideias que desafiam a harmonia institucional e promovem o acirramento entre os Poderes”, afirmou.
As evidências contra Heleno incluem:
Caderno apreendido em sua residência, com anotações sobre estratégias contra o sistema eletrônico de votação;
Manuscritos que falam em “continuar a criticar a urna eletrônica” e sugerem que a AGU (Advocacia-Geral da União) elaborasse pareceres para descumprir ordens judiciais;
Falas em reunião ministerial de 2022 defendendo que a Abin acompanhasse campanhas eleitorais, ainda que de forma clandestina.
A PGR afirma que os registros coincidem com arquivos encontrados em computadores de Ramagem, reforçando a linha de cooperação entre ambos.
A defesa de Heleno nega as acusações e diz que as anotações representam apenas uma opinião pessoal favorável ao voto impresso, sem relação com golpe ou violência institucional. Também argumenta que Heleno se afastou de Bolsonaro após a aproximação do ex-presidente com o Centrão e que não tinha formação jurídica para compreender a gravidade dos apontamentos sobre a AGU.
Augusto Heleno era considerado um dos militares mais respeitados do país, comparado apenas ao ex-presidente da ditadura João Baptista Figueiredo, também tríplice coroado. Agora, integra o núcleo de oito réus centrais da trama golpista denunciada pela PGR.
Se condenado, Heleno pode perder seus vínculos militares, tornando-se um banido do Exército, manchando definitivamente a imagem de quem já foi exaltado como modelo na corporação.
Noticias ao minuto
Postado em 29/08/2025