Novos PAMs ampliam atendimento, mas não substituem UPAs em Maringá
Novos PAMs ampliam atendimento, mas não substituem UPAs em Maringá
O Maringá vai ganhar dois novos Prontos Atendimentos Municipais (PAMs). O anúncio foi oficializado na semana passada pelo Governo do Paraná, por meio do secretário estadual da Saúde, Beto Preto.
Do investimento total de R$ 17,9 milhões, R$ 14 milhões serão destinados à construção das duas unidades uma na Zona Leste e outra na Zona Oeste da cidade. Outros R$ 3,9 milhões serão aplicados na renovação da frota da saúde, com a aquisição de 18 novos veículos, entre ambulâncias e vans.
O anúncio representa um reforço importante para a rede pública de saúde. No entanto, junto com a boa notícia, surge uma dúvida frequente entre os moradores: PAM é a mesma coisa que UPA? A resposta é não e entender essa diferença ajuda a saber onde buscar atendimento em cada situação.
UPA x PAM: qual é a diferença real?
Atualmente, Maringá conta com duas Unidades de Pronto Atendimento (UPA): a UPA Zona Sul, já consolidada como Porte III, e a UPA Zona Norte, que está em processo de transição para o mesmo porte.
O Porte III é o nível máximo de uma UPA. Essas unidades funcionam 24 horas por dia, contam com estrutura ampliada, equipe completa e capacidade para atender grandes volumes de pacientes, incluindo casos de alta gravidade, com suporte avançado e estabilização para internações e transferências.
Já os novos PAMs anunciados para Maringá seguem o modelo padronizado pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná. Cada unidade terá 812,89 m² de área construída e foco em atendimentos de baixa e média complexidade, funcionando como porta de entrada rápida para urgências menos graves.
Para comparação:
UPA: capacidade média de 9 a 10 mil atendimentos por mês
PAM: cerca de 2.100 atendimentos mensais
A diferença estrutural também é significativa. A UPA Zona Sul possui 1.948,43 m². Já a UPA Zona Norte passa por uma ampla reforma e ampliação desde julho de 2024, com obra que envolve aproximadamente 3 mil m² entre área reformada e expandida. Cada PAM, por sua vez, terá menos da metade da área de uma UPA Porte III e, somados, os dois PAMs ainda não alcançam o tamanho da UPA Zona Sul.
O que Maringá ainda espera
A construção dos novos PAMs é um reforço bem-vindo para a saúde pública, principalmente por ampliar o acesso regionalizado e desafogar parte da demanda por atendimentos menos complexos.
No entanto, a população maringaense ainda mantém a expectativa em torno da promessa de campanha das duas novas UPAs de grande porte. Como mostram os dados técnicos, o PAM ajuda, mas não substitui a estrutura completa de uma UPA Porte III, especialmente no atendimento de casos graves e emergências de maior complexidade.
O investimento atual melhora o acesso nos bairros e fortalece a rede para urgências e baixa complexidade, mas mantém na lista de cobranças da população a ampliação efetiva da capacidade para atendimentos mais graves exatamente o nível de estrutura prometido em campanha.
Postado em 02/02/2026