O principal obstáculo para o crescimento do mercado imobiliário brasileiro não é a falta de recursos, mas o alto custo do crédito, causado pelas taxas de juros elevadas. Essa foi a conclusão apresentada por líderes do setor durante um webinar na quarta-feira 6.
Segundo pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, 78% das incorporadoras apontam os juros como o maior entrave para novos lançamentos. Para a maioria, seria necessário que as taxas ficassem abaixo de 12% para viabilizar mais empreendimentos. A previsão da Selic para dezembro de 2026 é justamente 12%, o que traria algum alívio, mas ainda não resolveria o problema.
Diante desse cenário, o setor tem buscado alternativas de financiamento, como o mercado de capitais, que permite captação com menos dependência dos bancos. Apesar das vantagens, 57% das empresas nunca utilizaram essa modalidade sendo mais comum entre grandes incorporadoras.
Outro modelo em crescimento são as SCPs (Sociedades em Conta de Participação), que atraem investidores interessados em acompanhar diretamente a evolução das obras.
A Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) propôs ao Banco Central a liberação de parte do compulsório da poupança, o que injetaria R$ 35 bilhões no crédito para imóveis de classe média, além da criação de um mecanismo de redesconto específico para o setor.
O programa Minha Casa, Minha Vida, especialmente com a nova faixa 4 (para rendas entre R$ 8 mil e R$ 12 mil), continua sendo o motor do setor. A meta de 2 milhões de unidades é considerada histórica e uma oportunidade de inclusão social e redução do déficit habitacional.
A Caixa Econômica Federal ainda é o principal agente de financiamento, com ferramentas que ajudam na produção, especialmente para empresas que atuam no programa habitacional. Já os bancos privados ainda não oferecem suporte similar.
Postado em 07/08/2025
Por Assessoria da SCPs