Por que esses nomes de bebês são proibidos?
Por que esses nomes de bebês são proibidos?
Escolher o nome do seu bebê é um dos momentos mais simbólicos para os futuros pais. Essa escolha, íntima e cheia de significado, muitas vezes reflete laços culturais, gostos pessoais ou histórias familiares. O que muitas pessoas não percebem é que essa liberdade não é absoluta.
Quando o ordinário se torna controverso
Em muitos países, as leis regulamentam rigorosamente os primeiros nomes autorizados no estado civil. Enquanto algumas proibições parecem lógicas, para evitar futuras humilhações ou trocadilhos infelizes, outras podem parecer surpreendentes, até mesmo arbitrárias. Dar um nome ao filho se torna um ato monitorado, regulamentado e, às vezes, contestado.
Alguns nomes próprios, perfeitamente comuns em um país, são simplesmente proibidos em outro. Um exemplo marcante: o primeiro nome Linda, comum em países ocidentais, foi proibido na Arábia Saudita em 2014, por ser considerado "anti-islâmico". Aqui, a lógica religiosa e cultural prevalece sobre a neutralidade do primeiro nome em outros contextos.
Na França, vários nomes considerados "arriscados" para a criança foram recusados. Morango, por exemplo, foi proibido por causa de sua associação com a expressão coloquial "traga seu morango de volta", que foi considerada pouco lisonjeira. Outro caso emblemático: Nutella, rejeitada por um tribunal em 2015 , tendo os juízes considerado que "este primeiro nome exporia a menina ao ridículo" .
Marcas, absurdos e provocações
Em outros casos, as autoridades intervêm por razões legais ou simbólicas. Na Suécia, um casal tentou dar à filha o nome de Metallica em homenagem à banda de metal. O nome foi rejeitado, entre outras coisas, por razões de propriedade intelectual. Por outro lado, outros nomes do universo do metal, como Mayhem ou Gojira, foram aceitos, segundo estudo realizado pela Preply, plataforma especializada em aprendizado de idiomas.
Também na Suécia, um casal provocou as autoridades ao registrar seu filho com o nome "Brfxxccxxmnpcccclllmmnprxvclmnckssqlbb11116", que deveria ser pronunciado "Albin". Uma tentativa absurda rejeitada sem apelação.
Escolhas que preocupam os juízes
Em muitos países, os tribunais às vezes são forçados a intervir para proteger a criança. Na Nova Zelândia, uma menina foi temporariamente tirada de seus pais para que seu nome oficial fosse mudado: "Talula Does the Hula from Hawaii". A criança ficou tão envergonhada que se recusou a contar aos amigos.
O mesmo país também rejeitou nomes como "Fish and Chips" para gêmeos, mas paradoxalmente aceitou "Benson and Hedges", em referência a uma marca de cigarros.
Humor, modernidade ou má ideia?
Em outros casos, nomes proibidos refletem um desejo de se destacar ou provocar sorrisos, mas as autoridades acreditam que eles podem prejudicar a criança. Na Austrália, os nomes "LOL" (sigla para "laughing out loud") e "Spinach" (espinafre) foram proibidos. Não por serem estranhos, mas porque correm o risco de prejudicar a credibilidade da criança em documentos oficiais ou causar escárnio.
No Reino Unido, nomes como "Rogue" ou "Cyanide" foram rejeitados. O primeiro pela conotação negativa, o segundo porque se refere a uma substância tóxica infame.
Por trás das leis, valores e limites
Essas decisões refletem profundas preocupações sobre a identidade, a dignidade e a proteção da criança. Em alguns países, os primeiros nomes estão intimamente ligados à identidade nacional ou religiosa. Em outros lugares, as autoridades estão simplesmente tentando evitar que crianças se tornem alvos de ridículo ou estigmatização. A legislação francesa, por exemplo, foi flexibilizada desde 1993, permitindo maior liberdade na escolha de primeiros nomes. Mas mantém o direito de rever, por meio de oficiais de registro civil e dos tribunais, aqueles que forem considerados contrários aos interesses da criança.
Dar um nome a uma criança é muito mais do que uma escolha estética. É um ato social, legal e, às vezes, político, enquadrado de maneiras muito diferentes dependendo do país. Por trás das recusas, por vezes cômicas ou incompreensíveis, escondem-se lógicas de proteção, de ordem simbólica ou de normas coletivas.
Este lembrete nos convida a considerar o primeiro nome como um marcador de identidade tão íntimo quanto público, e a lembrar que, em certos casos, a criatividade parental deve funcionar dentro dos marcos impostos pelo Estado.
Por MSN - Postado em 23/01/2026