Prefeitura de Maringá explica demissões no Samu e afirma que atendimento não será afetado
Prefeitura de Maringá explica demissões no Samu e afirma que atendimento não será afetado
A Prefeitura de Maringá se manifestou após a repercussão da demissão coletiva de cerca de 50 profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no município. Segundo a administração, a medida é administrativa e legal, necessária para corrigir uma irregularidade existente desde 2017, que já teria causado mais de R$ 15 milhões em prejuízos aos cofres públicos.
As demissões atingem médicos, profissionais de enfermagem, socorristas e motoristas contratados pelo regime CLT, que atuavam por meio do Consórcio Proamusep, responsável pela gestão do Samu Regional Norte Novo, que atende cerca de 30 municípios.
O que motivou a decisão
De acordo com a Prefeitura, o Samu de Maringá foi criado por lei municipal há cerca de 20 anos. No entanto, com a regionalização do serviço, a gestão passou integralmente ao consórcio, cabendo a ele a administração das escalas e equipes.
Desde então, servidores municipais permaneceram cedidos ao consórcio, mas decisões judiciais, movidas pelos próprios profissionais, determinaram que eles não poderiam cumprir a escala 12×36, exigida pelo Samu, devendo seguir a carga horária legal de 8 horas diárias. Esse conflito de regimes resultou em indenizações milionárias pagas entre 2016 e 2024.
A situação se agravou após a Justiça do Trabalho condenar o consórcio, no ano passado, por excesso de horas extras, reforçando a obrigatoriedade da escala 12×36 e tornando incompatível a permanência dos servidores municipais cedidos.
Diante disso, o Proamusep informou oficialmente que não tem interesse na continuidade desses profissionais, já que o modelo operacional do Samu exige a escala diferenciada.
Atendimento não será prejudicado, diz Prefeitura
A Prefeitura e o consórcio afirmam que a medida não afetará o atendimento à população, contrariando o que classificam como fake news. Segundo a administração municipal, o Proamusep será responsável por manter a capacidade operacional e recompor as equipes, garantindo a continuidade do serviço.
Os trabalhadores desligados receberão todas as garantias legais, como aviso prévio, indenizações, férias e 13º salário proporcionais.
Reação do sindicato
O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Maringá (SISMMAR) classificou a decisão como “absurda” e afirmou que não houve debate prévio com a categoria. O sindicato alerta que parte dos profissionais atua no Samu há mais de 15 anos e que, com o aviso prévio, os desligamentos devem ocorrer já em fevereiro.
A entidade também informou que pretende acionar o Ministério Público do Trabalho (MPT) e adotar medidas jurídicas, alegando que a demissão em massa pode comprometer um serviço essencial.
Debate segue em andamento
A decisão foi comunicada em reunião realizada na Prefeitura, com a presença do secretário municipal de Saúde, Antônio Carlos Nardi, do secretário de Gestão de Pessoas, Moacir Olivatti, representantes do consórcio, do sindicato e profissionais do Samu.
O tema segue gerando debate entre Prefeitura, sindicato e trabalhadores. A administração municipal reforça que a medida visa responsabilidade fiscal e legal, enquanto o sindicato cobra alternativas para absorção dos profissionais e mais garantias sobre a continuidade e qualidade do atendimento à população.
A reportagem segue acompanhando o caso, e o espaço permanece aberto para manifestações da Prefeitura, do Proamusep, do SISMMAR e dos trabalhadores do Samu.
Foto: Reprodução/Instagram sismmarmaringa - Postado em 09/01/2026