Uso indiscriminado de corticoides pode causar glaucoma e levar à cegueira, alertam especialistas
Uso indiscriminado de corticoides pode causar glaucoma e levar à cegueira, alertam especialistas
O uso inadequado de medicamentos à base de corticoides, especialmente sem acompanhamento médico, pode aumentar significativamente o risco de desenvolvimento do glaucoma, uma doença ocular silenciosa que pode provocar perda irreversível da visão. O alerta é da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), que tem intensificado campanhas de conscientização sobre os perigos da automedicação.
O glaucoma é uma doença que afeta o nervo óptico e está geralmente associado ao aumento da pressão intraocular. Sem tratamento adequado, a condição pode evoluir para cegueira permanente. Estima-se que cerca de 1,7 milhão de brasileiros convivam com a doença, sendo mais comum em pessoas acima dos 40 anos.
Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma, Roberto Murad Vessani, o uso prolongado de corticoides pode alterar o funcionamento natural dos olhos, dificultando a drenagem do líquido presente no interior do globo ocular. Como consequência, ocorre o aumento da pressão ocular, fator diretamente relacionado ao surgimento do glaucoma.
Os corticoides são amplamente utilizados no tratamento de alergias, inflamações, problemas respiratórios, sinusites e irritações oculares. O alívio rápido proporcionado por esses medicamentos leva muitas pessoas a reutilizá-los por conta própria sempre que os sintomas reaparecem, prática considerada perigosa pelos especialistas.
Além dos colírios, pomadas, comprimidos e outras formulações contendo corticoides também podem representar riscos quando utilizados sem orientação médica. O problema é ainda mais preocupante entre pessoas que já possuem glaucoma, já que aproximadamente 90% desses pacientes apresentam sensibilidade ao medicamento, o que pode agravar significativamente a doença.
Entidades pedem mais controle
Diante do aumento das preocupações, a Sociedade Brasileira de Glaucoma, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) encaminharam uma nota pública à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ao Ministério da Saúde e ao Congresso Nacional solicitando medidas mais rigorosas para o controle da venda e do uso desses medicamentos.
As entidades defendem um modelo semelhante ao adotado para os antibióticos, que exigem receita médica e controle mais rígido na comercialização.
Outros riscos à saúde
Além dos problemas oculares, o uso indiscriminado de corticoides pode provocar diversas complicações no organismo, como aumento da glicose no sangue, agravamento do diabetes, hipertensão arterial, retenção de líquidos, ganho de peso, enfraquecimento dos ossos, alterações hormonais e maior suscetibilidade a infecções.
Atenção aos grupos de risco
Especialistas destacam que crianças, idosos e pessoas acima dos 40 anos devem ter atenção redobrada. Em crianças com alergias oculares, por exemplo, o uso frequente de colírios contendo corticoides pode causar aumento da pressão ocular e até o desenvolvimento precoce de catarata.
As entidades médicas recomendam que pacientes que utilizam corticoides por períodos prolongados realizem acompanhamento oftalmológico regular, incluindo a medição da pressão intraocular. O monitoramento é considerado fundamental para identificar alterações precocemente e evitar danos permanentes à visão.
A principal orientação dos especialistas é simples: nunca utilizar medicamentos com corticoides sem prescrição e acompanhamento médico. O diagnóstico precoce e o uso responsável dessas substâncias são essenciais para preservar a saúde ocular e evitar complicações graves.
Postado em 08/06/2026