Entidades empresariais do Brasil e dos EUA pedem acordo para evitar novo tarifaço sobre produtos brasileiros
Entidades empresariais do Brasil e dos EUA pedem acordo para evitar novo tarifaço sobre produtos brasileiros
A Amcham Brasil, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a U.S. Chamber of Commerce enviaram nesta quinta-feira (9) uma carta aos governos do Brasil e dos Estados Unidos solicitando a construção de um acordo de curto prazo para evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
O pedido ocorre às vésperas da conclusão da investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação americana. O órgão deve divulgar sua decisão até o próximo dia 15 de julho e já sinalizou a possibilidade de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Segundo representantes do setor produtivo, ainda há possibilidade de reverter a medida caso um entendimento seja alcançado antes da divulgação da decisão. Após esse prazo, a expectativa é de que as chances de mudança diminuam significativamente.
Empresas defendem solução negociada
Grandes empresas com atuação internacional, como Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Faber-Castell, eBay e Siemens, também encaminharam manifestações ao USTR solicitando que as novas tarifas não sejam implementadas.
Na carta enviada pelos representantes empresariais, as entidades afirmam que uma solução negociada é a melhor alternativa para preservar a competitividade, proteger empregos e evitar impactos negativos para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países.
Proposta prevê negociação em duas etapas
O documento sugere que Brasil e Estados Unidos iniciem uma negociação dividida em duas fases.
A primeira etapa seria voltada para temas considerados urgentes, entre eles:
Ampliação do acesso a mercados ligados à segurança energética, data centers e infraestrutura de inteligência artificial;
Cooperação regulatória em setores como automóveis e equipamentos médicos;
Agilidade na análise de patentes no Brasil e fortalecimento do combate à pirataria;
Parcerias em minerais críticos, com investimentos em pesquisa, processamento e desenvolvimento das cadeias produtivas.
As entidades também defendem a prorrogação da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC), que impede a cobrança de tarifas sobre transmissões eletrônicas, além da implementação integral do Protocolo Anticorrupção do ATEC, acordo de comércio e cooperação econômica firmado entre Brasil e Estados Unidos.
Em uma segunda etapa, a proposta prevê a ampliação da agenda bilateral para incluir temas como economia digital, comércio eletrônico, inovação, segurança energética, agricultura, descarbonização industrial, fortalecimento das cadeias produtivas e facilitação do comércio.
Setor demonstra preocupação com decisão
Em nota, o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, destacou a necessidade de intensificar o diálogo entre os dois governos antes da conclusão da investigação.
"Às vésperas do prazo final da investigação, é essencial um esforço concentrado dos governos do Brasil e dos Estados Unidos para viabilizar um acordo que evite a aplicação das tarifas e abra espaço para uma agenda mais ampla de fortalecimento da relação econômica bilateral", afirmou.
Expectativa é de manutenção das tarifas
Nesta semana, representantes do setor privado participaram de audiências em Washington para defender que as novas tarifas não sejam aplicadas. Durante os encontros, diversos segmentos solicitaram tratamento diferenciado ou exclusão das medidas.
Apesar das negociações, o clima entre empresários é de cautela. A expectativa predominante é de que o tarifaço seja confirmado, com possibilidade apenas de ampliação da lista de produtos isentos.
Outro fator de preocupação é uma segunda investigação conduzida pelo USTR sobre trabalho forçado, cuja decisão está prevista para 24 de julho. Essa apuração poderá resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos de diversos países, incluindo o Brasil, elevando ainda mais a pressão sobre as exportações brasileiras.
Postado em 10/07/2026