Em disputa acirrada, paranaense passa em concurso para Procurador da República
Em disputa acirrada, paranaense passa em concurso para Procurador da República
Com apenas 25 anos, Guilherme Sphair teve a melhor classificação da Região Sul; curso de Direito do Integrado é o melhor do Paraná segundo o MEC
O mamboreense Guilherme de Melo Sphair, de apenas 25 anos, alcançou um feito histórico no cenário jurídico nacional ao ser aprovado no 31º Concurso para Procurador da República do Ministério Público Federal (MPF), um dos certames mais rigorosos do país.
Guilherme, que se formou em Direito pelo Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR) em 2022, conquistou o 1º lugar na fase de prova oral com média de 92,85. Ele foi o único candidato a receber três notas 100 entre os seis examinadores da cúpula do Direito brasileiro, que contou com a presença de Paulo Gustavo Gonet Branco, Procurador-Geral da República e doutor em Direito (UnB).
Com a terceira melhor nota na média das provas e o sexto lugar geral após a contagem de títulos, ele liderou a classificação na Região Sul e pode se tornar o Procurador da República mais jovem do Brasil.
Concorrência acirrada
O processo seletivo foi marcado por uma concorrência expressiva: 10.372 candidatos se inscreveram para disputar apenas 58 vagas. Destes, apenas 43 conseguiram chegar à etapa oral, realizada em abril de 2026 na sede da Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília.
“Fiquei muito feliz e demorou a cair a ficha. O bom desempenho na prova oral me permitiu essa colocação e a felicidade foi tão grande quanto a minha surpresa”, celebrou Guilherme, que aguarda a data de posse e da cidade de atuação.
O papel do Procurador da República
O cargo de Procurador da República representa a porta de entrada na carreira do Ministério Público Federal (MPF). Como servidores, esses profissionais atuam diretamente perante a Justiça Federal na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais, funcionando, na prática, como defensores do povo.
Entre as principais atribuições do cargo estão a apresentação de denúncias criminais em casos de infrações federais, a fiscalização do cumprimento das leis e a instauração de ações civis públicas para proteger o patrimônio público, o meio ambiente, os direitos do consumidor e as comunidades vulneráveis. A atuação dos procuradores é peça-chave na condução de grandes operações, investigações internacionais e no controle de inquéritos policiais.
Curiosidades e trajetória de estudos
A trajetória de Guilherme até o topo do MPF acumula particularidades surpreendentes. O interesse pela área jurídica despertou ainda na infância, aos 7 anos, durante as eleições municipais de 2008, quando o comitê de um candidato ficava ao lado de sua casa e ele começou a acompanhar as sessões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para entender os processos locais.
Anos mais tarde, a própria entrada na carreira quase foi travada por uma exigência constitucional: a necessidade de comprovar três anos de atividade jurídica na data da inscrição definitiva. Em um cálculo que gerou semanas de aflição, Guilherme preencheu o requisito no limite do cronograma. No último dia do prazo estabelecido pelo edital, ele contabilizava exatos três anos e um dia de atuação prática.
Outro marco singular ocorreu no encerramento da graduação, em 2022. Guilherme estudou na mesma sala que seu pai, Luiz Cesar Ribas Sphair (servidor municipal e advogado), com quem dividiu a bancada e apresentou em dupla o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). A pesquisa, voltada à uniformização da legislação federal infraconstitucional, recebeu nota 10 e aprovação com louvor.
A base acadêmica no Integrado
Graduado em Direito entre 2018 e 2022 pelo Centro Universitário Integrado, Guilherme relembra a importância da instituição em sua caminhada.
“Levei a faculdade a sério, aproveitei ao máximo as oportunidades. Participei de seminários, olimpíadas jurídicas e do Congresso Científico e Cultural do Paraná (CONCCEPAR). Destaco a relação muito afetuosa com todos os professores. Eu não teria passado no concurso do MPF se não fosse por eles”, pontuou o advogado, que, durante a colação de grau, ainda recebeu a Láurea Acadêmica pela maior média geral (9,67).
A coordenadora do curso de Direito do Centro Universitário Integrado, Ana Paula Nacke, que também foi orientadora do TCC de Guilherme, recorda que o potencial do jovem ficou evidente logo no início da graduação.
“Ele se destacou desde o começo. Ao ver as respostas da primeira prova dele, no primeiro período, fiquei admirada com a profundidade de sua análise. Ao longo da faculdade, ele sempre foi muito dedicado, interessado e curioso. Por isso, o mundo jurídico ganha um profissional qualificado e muito humano”, avaliou a coordenadora.
Curso de Direito do Integrado lidera avaliações do MEC
O desempenho individual do egresso reflete os indicadores oficiais da instituição de ensino de Campo Mourão. De acordo com os dados do Ministério da Educação (MEC), o curso de Direito do Integrado obteve nota máxima (5) no Conceito Preliminar de Curso (CPC).
Esse indicador coloca a graduação em 1º lugar entre as mais de 100 instituições públicas e privadas do Estado do Paraná, além da 8ª posição no ranking nacional, que abrange 1.229 cursos. No Índice Geral de Cursos (IGC), a nota é 4, a maior das regiões Norte e Noroeste do estado.
Segundo Ana Paula Nacke, o sucesso institucional do curso de Direito, que já formou 1.987 alunos em 39 turmas desde 1999, ancora-se em três pilares. “Em primeiro lugar, um corpo docente qualificado e com grande experiência prática. Em segundo, o uso de uma proposta pedagógica inovadora. E, por fim, a área de estágio com atividades práticas reais e simuladas, inclusive realizando atendimentos à população carente”, explicou a coordenadora, lembrando que a instituição acumula um histórico de egressos em posições de relevância, como juízes, analistas judiciários, auditores fiscais e tabeliães.
Desafios na Amazônia Legal e celeridade na Justiça
Embora a lotação oficial ocorra apenas no momento da nomeação, a tendência é que os aprovados neste 31º concurso assumam cargos em estados que integram a Amazônia Legal, na região Norte do país.
Guilherme projeta que os maiores desafios estarão associados ao cumprimento do papel do MPF como “defensor do povo” em áreas sensíveis. “Por estarmos diante de uma emergência climática, a atuação na proteção do direito a um clima estável, no combate à mineração ilegal e na proteção de comunidades tradicionais será certamente desafiadora”, avaliou.
Questionado sobre os gargalos do sistema processual brasileiro, que atualmente acumula cerca de 76 milhões de ações pendentes, com tempo médio de mais de 700 dias entre o início do processo e seu primeiro julgamento, o futuro Procurador da República defendeu a consolidação de um modelo resolutivo e extrajudicial.
“É muito importante uma mudança de mentalidade social: o Judiciário não é o único meio, nem deve ser a porta principal para a resolução de problemas jurídicos. Modernas teorias defendem o sistema de 'Justiça Multiportas', com estímulo a métodos autocompositivos. Compreender essa evolução permitirá muitos ganhos em celeridade e qualidade”, concluiu.
Postado em 30/06/2026 - Por: Marlise Groth Mem