Fifa enfrenta reação da Uefa após proposta de vender participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo
Fifa enfrenta reação da Uefa após proposta de vender participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo
A proposta da Fifa de permitir a entrada de investidores privados na exploração dos direitos comerciais da Copa do Mundo provocou forte repercussão no futebol internacional e abriu um novo capítulo na disputa política entre a entidade presidida por Gianni Infantino e a Uefa.
Anunciado nesta terça-feira (28), o projeto prevê a criação de uma nova estrutura comercial para administrar as receitas da Copa do Mundo e do Mundial de Clubes. A operação poderá movimentar até US$ 4,2 bilhões e ainda depende da aprovação da maioria das 211 associações filiadas à Fifa, além do Conselho da entidade.
Uefa critica proposta
A reação mais contundente veio da Uefa, que divulgou uma nota oficial criticando a possibilidade de participação de investidores privados na gestão comercial das principais competições do futebol mundial.
Segundo a entidade europeia, a proposta ultrapassa limites que deveriam ser preservados pelas instituições responsáveis pelo esporte.
"A alma e a governança do futebol não são ativos para negociação, especialmente sem qualquer transparência sobre quem se beneficia financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol", afirmou a Uefa.
Fifa diz que recursos fortalecerão o futebol
A Fifa defende que a criação da nova estrutura permitirá ampliar significativamente os investimentos no desenvolvimento do esporte.
De acordo com a entidade, os recursos destinados ao futebol poderão ultrapassar US$ 10 bilhões, beneficiando projetos de desenvolvimento em diversos países.
Investidores privados podem entrar no negócio
Informações divulgadas pelo jornal britânico The Times apontam que a nova empresa concentraria as receitas comerciais da Copa do Mundo e do Mundial de Clubes, abrindo espaço para a participação de investidores privados.
Segundo a publicação, a Fifa já trabalha com o banco J.P. Morgan na elaboração da operação.
Entre os possíveis interessados estaria a empresa Thrive Eternal, fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Infantino também é alvo de críticas
Outro ponto que gerou polêmica foi a informação de que Gianni Infantino poderia assumir um cargo de liderança na futura empresa após o encerramento de seu mandato na Fifa.
A hipótese motivou críticas do ex-presidente da entidade, Joseph Blatter, que relacionou a proposta à proximidade entre Infantino e Donald Trump.
"A estreita relação entre o presidente da Fifa e o presidente dos Estados Unidos atingiu uma dimensão financeira que está prejudicando profundamente o futebol. Ninguém tem o direito de vender o nosso jogo", escreveu Blatter.
Repercussão internacional
A proposta ganhou destaque na imprensa internacional.
O jornal espanhol AS classificou a reação da Uefa como uma "bomba nuclear", enquanto o Financial Times publicou uma análise sob o título "Fifa coloca a Copa do Mundo à venda", destacando que uma entidade sem fins lucrativos pretende abrir espaço para investidores privados em seu principal ativo comercial.
Na Argentina, o Clarín ressaltou a possível ligação do projeto com a família Trump e a possibilidade de Infantino assumir o comando da nova empresa após deixar a presidência da Fifa.
Possível impacto na Copa Feminina de 2027
De acordo com informações divulgadas pela Sky News, o impasse também poderá refletir nas competições organizadas pela Fifa.
Segundo a emissora britânica, algumas associações filiadas à Uefa discutem a possibilidade de um boicote à Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. Até o momento, porém, não há qualquer decisão oficial sobre o assunto.
A proposta segue em fase de discussão e dependerá da aprovação dos órgãos internos da Fifa antes de qualquer implementação.
Postado em 29/07/2026