Estudante de Medicina paga fiança de R$ 15 mil e deixa cadeia após acidente com motoboy em Maringá
Estudante de Medicina paga fiança de R$ 15 mil e deixa cadeia após acidente com motoboy em Maringá
Motorista deixou a Cadeia Pública pelo estacionamento após obter liberdade provisória; procedimento diferente do adotado com outros presos liberados na mesma noite gerou questionamentos
O estudante de Medicina envolvido no grave acidente que deixou um motoboy em estado gravíssimo deixou a Cadeia Pública de Maringá na noite desta segunda-feira (24), após o pagamento de fiança de R$ 15 mil e decisão judicial que concedeu liberdade provisória.
Enquanto o motorista responde ao caso em liberdade e deverá cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça, o motoboy permanece internado em estado gravíssimo na UTI da Santa Casa de Maringá.
Estudante deixou cadeia pelo estacionamento
Segundo informações o estudante deixou a unidade prisional pelo estacionamento e entrou no banco traseiro do veículo de seu advogado.
A forma como ocorreu a saída chamou a atenção porque, outros presos colocados em liberdade na mesma noite deixaram a Cadeia Pública pela porta da frente.
A diferença no procedimento levantou questionamentos sobre os critérios utilizados pela unidade para a liberação do estudante.
A imprensa aguarda o posicionamento do Departamento de Polícia Penal do Paraná para esclarecer por que o estudante deixou a cadeia pelo estacionamento, se houve autorização específica e se esse procedimento está previsto nos protocolos da unidade.
Também foram solicitadas informações sobre a possibilidade de ter existido alguma orientação relacionada à segurança do estudante ou determinação específica para que a saída acontecesse dessa maneira.
Até que haja manifestação oficial do órgão, não é possível afirmar o motivo da adoção do procedimento diferente.
Acidente deixou motoboy em estado gravíssimo
O acidente ocorreu durante a madrugada na Rua Mem de Sá, na Zona 2, em Maringá. Conforme as informações que constam no processo, um Honda City atingiu a traseira da motocicleta.
Com a colisão, o motociclista caiu. Testemunhas relataram que o automóvel teria continuado em movimento, arrastando a motocicleta e a vítima por alguns metros.
Pessoas que estavam nas proximidades acompanharam o veículo e conseguiram deter o motorista. A Guarda Civil Municipal foi acionada e, quando chegou ao local, equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já prestavam socorro ao motoboy.
A vítima foi encaminhada para a Santa Casa de Maringá, onde permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado gravíssimo.
Motorista recusou teste do bafômetro
Após a colisão, o estudante se recusou a realizar o teste do bafômetro.
De acordo com os registros dos agentes, entretanto, foram observados sinais que indicariam alteração da capacidade psicomotora, como hálito etílico, fala enrolada, olhos avermelhados e roupas desalinhadas.
Ele foi preso em flagrante, inicialmente, por suspeita de lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, com agravante relacionado à possível omissão de socorro.
Justiça fixou fiança em R$ 15 mil
A juíza Elaine Cristina Siroti, da Central de Audiência de Custódia de Maringá, considerou válida a prisão em flagrante, mas entendeu que não havia necessidade de manter o estudante preso neste momento.
Entre os fatores considerados na decisão estão o fato de o motorista ser primário e possuir bons antecedentes, além da ausência de pedido específico da autoridade policial ou do Ministério Público pela decretação da prisão preventiva.
O Ministério Público havia sugerido inicialmente fiança de R$ 2 mil, mas a magistrada fixou o valor em R$ 15 mil, considerando a condição econômica informada pelo motorista.
Após o pagamento, foi determinada a expedição do alvará de soltura.
Medidas cautelares
Além da fiança, o estudante deverá comparecer mensalmente à Justiça para informar e justificar suas atividades, não poderá deixar a comarca sem autorização judicial e deverá comunicar previamente caso precise permanecer fora de Maringá por período superior a oito dias.
A concessão da liberdade provisória não significa absolvição. O caso continuará sendo investigado e analisado pela Justiça.
O processo deverá seguir para a 1ª Vara Criminal de Maringá.
Enquanto isso, permanece a expectativa por informações sobre a evolução do quadro clínico do motoboy e pelo posicionamento oficial da Polícia Penal a respeito do procedimento adotado na saída do estudante da Cadeia Pública.
Postado em 25/08/2026