Intolerância à lactose afeta milhões de brasileiros; especialistas explicam sintomas e cuidados
Intolerância à lactose afeta milhões de brasileiros; especialistas explicam sintomas e cuidados
O leite faz parte da alimentação de milhões de brasileiros, mas nem todos conseguem digeri-lo da mesma forma. Estima-se que mais de 50% da população brasileira tenha tendência a desenvolver intolerância à lactose, segundo um estudo do laboratório Genera. A condição ocorre quando o organismo produz pouca ou nenhuma lactase, enzima responsável por digerir a lactose, o açúcar natural presente no leite e seus derivados.
Sem a quantidade adequada dessa enzima, a lactose não é totalmente absorvida pelo intestino, provocando sintomas que podem variar de leves a intensos após o consumo de alimentos lácteos.
Produção de lactase diminui com a idade
De acordo com o médico e professor de Nutrologia da Afya Ribeirão Preto, Dr. Renato Zorzo, a intolerância à lactose pode surgir em diferentes fases da vida e costuma se tornar mais frequente com o envelhecimento.
"Muitas pessoas começam a apresentar sintomas na adolescência ou na vida adulta porque a produção de lactase tende a diminuir naturalmente ao longo dos anos. Há pessoas que conseguem consumir pequenas quantidades de leite sem apresentar sintomas, enquanto outras desenvolvem desconforto mesmo com doses reduzidas", explica.
Segundo o especialista, casos de bebês com intolerância são raros e geralmente estão relacionados a alterações genéticas. Na maioria das pessoas, a redução da produção da enzima acontece de forma gradual.
Quais são os sintomas?
Os sinais mais comuns da intolerância à lactose costumam aparecer pouco tempo após a ingestão de leite ou derivados e incluem:
Dor abdominal;
Inchaço ou distensão abdominal;
Excesso de gases;
Cólicas intestinais;
Náuseas;
Diarreia;
Sensação de má digestão;
Ruídos intestinais;
Urgência para evacuar.
Em algumas pessoas, o desconforto pode ser mais intenso, acompanhado de mal-estar e sudorese.
Nem sempre é preciso cortar o leite
O professor de Nutrição da Afya Centro Universitário Itaperuna, Diego Righi, destaca que o tratamento deve ser individualizado.
Segundo ele, a intolerância à lactose é uma condição dose-dependente, ou seja, muitas pessoas conseguem consumir pequenas quantidades de leite ou derivados sem apresentar sintomas importantes.
A recomendação atual é reduzir a ingestão de lactose conforme a tolerância de cada paciente, evitando restrições desnecessárias e preservando alimentos ricos em nutrientes como cálcio, proteínas, vitamina D e vitamina B12.
Intolerância não é a mesma coisa que alergia ao leite
Especialistas alertam que muitas pessoas confundem intolerância à lactose com alergia à proteína do leite, mas as duas condições são diferentes.
A intolerância à lactose ocorre devido à dificuldade de digestão do açúcar do leite e provoca principalmente sintomas gastrointestinais. Ela não envolve o sistema imunológico e, normalmente, não causa reações graves.
Já a alergia ao leite é uma resposta do sistema imunológico às proteínas presentes no leite, como a caseína e as proteínas do soro.
Nesse caso, mesmo pequenas quantidades podem provocar sintomas como:
Urticária;
Coceira;
Inchaço;
Vômitos;
Chiado no peito;
Falta de ar;
Sangue nas fezes;
Anafilaxia, nos casos mais graves.
Por isso, pessoas com alergia precisam eliminar totalmente o leite e seus derivados da alimentação, inclusive os produtos sem lactose.
Produtos sem lactose não servem para quem tem alergia
Os especialistas reforçam que alimentos rotulados como "sem lactose" continuam contendo as proteínas do leite.
Isso significa que eles são seguros para pessoas com intolerância à lactose, mas não podem ser consumidos por quem tem alergia à proteína do leite, já que continuam capazes de provocar reações alérgicas.
Bebidas vegetais exigem atenção
Para quem precisa substituir o leite, as bebidas vegetais podem ser uma alternativa, mas é importante observar a composição nutricional.
Os nutricionistas recomendam priorizar produtos:
Sem adição de açúcar;
Enriquecidos com cálcio;
Fortificados com vitaminas D e B12;
Com pelo menos 6 a 8 gramas de proteína por porção.
Já bebidas à base de arroz ou coco devem ser consumidas com mais cautela como substitutas diárias, pois geralmente apresentam menor teor de proteínas e podem conter maior quantidade de carboidratos ou gordura saturada.
Diagnóstico é fundamental
Os especialistas ressaltam que dores abdominais, gases e diarreia nem sempre significam intolerância à lactose. O diagnóstico deve ser realizado por um médico, que poderá solicitar exames específicos e indicar o tratamento mais adequado.
Além de evitar desconfortos, a identificação correta da condição ajuda a prevenir restrições alimentares desnecessárias e garante uma dieta equilibrada, preservando a saúde e a qualidade de vida.
Postado em 28/07/2026 - Por: Noticias ao Minuto