Risco de Super El Niño acende alerta para a safra de café 2027 e preocupa mercado internacional
Risco de Super El Niño acende alerta para a safra de café 2027 e preocupa mercado internacional
A possibilidade de formação de um El Niño forte ou até de um Super El Niño no segundo semestre de 2026 já preocupa produtores, especialistas e compradores internacionais de café. O fenômeno climático pode comprometer o desenvolvimento da safra brasileira de 2027, especialmente durante o período de florada e enchimento dos grãos, fases decisivas para a produtividade e a qualidade da bebida.
Além da ameaça climática, o setor enfrenta um inverno mais úmido que o habitual em importantes regiões produtoras, fator que tem atrasado a colheita, dificultado a secagem dos grãos e aumentado o estresse das lavouras.
Segundo especialistas em cafeicultura, parte do potencial produtivo da próxima safra pode já ter sido afetado. Em áreas do Sul de Minas Gerais, uma das principais regiões produtoras do país, produtores registram desfolha precoce em lavouras com média e alta carga, situação considerada incomum para esta época do ano.
Florada será decisiva
De acordo com agrônomos, a safra de 2027 começará a ser definida entre setembro e outubro deste ano, período em que ocorre a florada dos cafezais.
Caso o El Niño provoque redução das chuvas e temperaturas acima da média nesse período, os impactos poderão incluir:
redução do número de floradas;
florescimento irregular;
menor enchimento dos grãos;
antecipação da maturação;
queda na produtividade;
perda de qualidade dos cafés especiais.
O calor excessivo também pode provocar danos às folhas, reduzindo a capacidade das plantas de produzir frutos de melhor qualidade.
Oferta mundial segue apertada
A preocupação ocorre em um momento em que o mercado internacional já trabalha com oferta restrita.
Estimativas da Organização Internacional do Café (OIC) apontam produção mundial próxima de 174,9 milhões de sacas na safra 2024/2025, enquanto o consumo global deverá alcançar aproximadamente 177 milhões de sacas, mantendo um cenário de demanda superior à oferta.
Nos últimos anos, a sucessão de eventos climáticos como La Niña e El Niño reduziu os estoques mundiais de café, contribuindo para a manutenção de preços elevados no mercado internacional.
Qualidade também pode ser afetada
Especialistas destacam que os efeitos do clima variam conforme o estágio de desenvolvimento dos frutos.
Quando seca e calor intenso ocorrem durante o enchimento dos grãos, eles tendem a apresentar menor tamanho, reduzindo a classificação comercial. Se o estresse acontece em fases posteriores, o café pode manter o tamanho, mas perde densidade e peso, comprometendo o rendimento e a qualidade final.
No segmento de cafés especiais, os prejuízos podem ser ainda maiores. Alterações no regime de chuvas e nas temperaturas influenciam diretamente a uniformidade da maturação, o aspecto físico dos grãos e as características sensoriais da bebida, fatores essenciais para cafés de maior valor agregado.
Mercado acompanha cenário climático
Embora ainda não haja confirmação de um Super El Niño, o setor cafeeiro acompanha atentamente a evolução das condições climáticas para os próximos meses. Caso o fenômeno se intensifique, produtores poderão enfrentar novos desafios justamente em uma safra considerada estratégica para recompor a oferta brasileira, mantendo o mercado internacional em estado de atenção quanto ao abastecimento e aos preços do café.
Postado em 03/08/2026 - Por Noticias Agrícolas