Arilson Chiorato pede cassação de Tathiana Guzella após fala contra vereadora Vanda de Assis
Arilson Chiorato pede cassação de Tathiana Guzella após fala contra vereadora Vanda de Assis
Presidente do PT-PR acusa parlamentar de Curitiba de xenofobia e quebra de decoro; pedido foi protocolado com base no Código de Ética da Câmara Municipal
O presidente do PT do Paraná e deputado estadual Arilson Chiorato pediu a cassação do mandato da vereadora de Curitiba Delegada Tathiana Guzella (PL) após declarações dirigidas à vereadora Vanda de Assis (PT) durante uma sessão da Câmara Municipal.
Chiorato classificou a manifestação como xenófoba e afirmou que a conduta deve ser investigada. O episódio ocorreu na última quarta-feira, 5 de agosto, durante a discussão de um projeto relacionado à criação de um Cadastro Único para Pessoas em Situação de Rua.
“A vereadora Tathiana Guzella se expressou de forma xenófoba, o que precisa ser coibido. Não podemos aceitar que um parlamentar normalize discurso de ódio. Isso não é opinião. É crime e precisa ser investigado e punido”, declarou Arilson, que também é líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
A caracterização da manifestação como crime corresponde à avaliação apresentada pelo deputado. Eventual responsabilização criminal depende de apuração e decisão das autoridades competentes.
Discussão ocorreu durante sessão da Câmara
Segundo o relato apresentado no pedido, Vanda de Assis utilizava a tribuna para criticar a proposta em discussão quando concedeu parte de seu tempo de fala a Tathiana Guzella.
Durante a manifestação, Guzella questionou a origem da parlamentar petista e afirmou: “Por que a senhora não volta para o Ceará? Por que a senhora veio para cá?”.
A fala provocou repercussão e levou à apresentação do pedido de cassação.
Vanda de Assis é natural do Ceará e foi eleita para a Câmara Municipal de Curitiba.
Pedido aponta possível quebra de decoro
O pedido de cassação foi protocolado pelo advogado Jualiano Pietzack, representante de Arilson Chiorato na ação.
De acordo com o documento, a conduta atribuída à vereadora poderia configurar quebra de decoro parlamentar por ser considerada incompatível com a dignidade da Câmara Municipal.
O pedido utiliza como fundamento dispositivos do Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Curitiba, que estabelece diferentes penalidades disciplinares, incluindo censura pública, suspensão de prerrogativas, suspensão temporária do mandato e cassação.
A apresentação do pedido não significa que a vereadora tenha o mandato cassado. Caberá às instâncias competentes da Câmara analisar a representação, a eventual admissibilidade do processo e assegurar o direito de defesa da parlamentar.
“As gravações não deixam dúvidas sobre a conduta imprópria da vereadora ao fazer uso da fala. O Paraná, assim como Curitiba, é construído por muitas cores, sotaques e culturas, que se somam, e não o contrário”, afirmou Chiorato.
Documento cita legislação contra discriminação
A representação também cita entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) relacionado à discriminação em razão da procedência regional.
Os responsáveis pelo pedido sustentam que manifestações discriminatórias contra brasileiros em razão da origem nordestina podem, conforme as circunstâncias e o enquadramento jurídico do caso concreto, estar sujeitas às disposições da Lei nº 7.716/1989.
Chiorato também destacou a trajetória de Vanda de Assis na Câmara de Curitiba.
“Vanda merece mais respeito. É a primeira mulher nordestina a ocupar uma cadeira na Câmara de Vereadores de Curitiba, o que torna ainda mais grave o caráter xenófobo do ato e amplia seu peso simbólico”, declarou.
Agora, o pedido deverá seguir os procedimentos previstos pela Câmara Municipal de Curitiba. Eventuais sanções dependerão da análise do Legislativo e do andamento do processo, com garantia de defesa à vereadora citada.
Postado em 11/08/2026