Pedidos de recuperação judicial no agronegócio crescem 21,9% e Paraná registra 50 casos
Pedidos de recuperação judicial no agronegócio crescem 21,9% e Paraná registra 50 casos
Brasil contabilizou 474 solicitações no primeiro trimestre de 2026; endividamento, custos elevados e crédito mais restrito pressionam produtores e empresas do setor
Os pedidos de recuperação judicial (RJ) no agronegócio brasileiro continuam em nível elevado. No primeiro trimestre de 2026, foram registradas 474 solicitações, crescimento de 21,9% em comparação com o mesmo período de 2025, segundo levantamento da Serasa Experian.
O indicador considera produtores rurais que atuam como pessoa física ou jurídica, além de empresas relacionadas à cadeia produtiva do agronegócio.
Na comparação com o último trimestre de 2025, quando foram contabilizados 408 pedidos, também houve crescimento, de aproximadamente 16,2%. Apesar da alta, o resultado permanece abaixo do pico de 628 solicitações registrado no terceiro trimestre.
Paraná aparece entre os Estados com mais pedidos
Mato Grosso, maior produtor nacional de grãos, oleaginosas e gado, liderou o levantamento, com 135 pedidos de recuperação judicial.
Na sequência aparecem Goiás, com 73 solicitações; Paraná, com 50; e Mato Grosso do Sul, com 38. Os números mostram que alguns dos principais Estados produtores do país também concentram parcela relevante dos processos de recuperação judicial relacionados ao campo.
Entre os quatro Estados citados, foram 296 pedidos, equivalentes a mais de 62% das 474 solicitações contabilizadas nacionalmente no período.
Soja lidera entre as atividades
Quando os dados são analisados por atividade econômica, o cultivo da soja aparece na primeira posição, com 137 pedidos de recuperação judicial.
A criação de bovinos aparece em seguida, com 42 solicitações.
O cenário ocorre em um período no qual produtores enfrentam uma combinação de custos de produção elevados, maior endividamento e condições mais rigorosas para obtenção de crédito.
“O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo”, afirmou Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian.
Segundo o especialista, o comportamento das margens, a capacidade de geração de receita e as possibilidades de renegociação das dívidas serão fundamentais para determinar a evolução do quadro até o final do ano.
Pedidos de produtores pessoa jurídica saltam 73,5%
Um dos dados que mais chamam atenção está entre os produtores rurais constituídos como pessoa jurídica. Nesse grupo, foram registrados 196 pedidos no primeiro trimestre, avanço de 73,5% em relação ao mesmo período de 2025.
Foi o maior crescimento anual entre os perfis analisados.
Entre os produtores que atuam como pessoa física, foram contabilizados 182 pedidos, redução de 6,7% na comparação anual.
Nesse grupo, produtores classificados como sem propriedades categoria que pode incluir arrendatários apresentaram 60 solicitações. Pequenos proprietários responderam por 44 pedidos, grandes por 41 e médios por 37.
Recuperação judicial deve ser último recurso, diz especialista
A recuperação judicial é um instrumento previsto para permitir que empresas e produtores em dificuldades financeiras reorganizem suas dívidas e busquem manter suas atividades enquanto negociam com os credores.
Para a Serasa Experian, entretanto, recorrer à Justiça deve ser uma alternativa utilizada somente quando outras possibilidades estiverem esgotadas.
Marcelo Pimenta defende que renegociação de dívidas e planejamento financeiro sejam priorizados, mantendo a recuperação judicial como último recurso.
O crescimento dos pedidos reforça o alerta sobre a situação financeira de parte do agronegócio brasileiro. Mesmo diante da elevada capacidade produtiva do país, custos, endividamento, margens mais apertadas e restrição de crédito podem comprometer o caixa de produtores e empresas da cadeia rural.
Postado em 12/08/2026