Defesa de Bolsonaro desiste de pedido para suspender pena de 27 anos no STF
Defesa de Bolsonaro desiste de pedido para suspender pena de 27 anos no STF
Advogados recuaram poucas horas após apresentarem solicitação ao ministro Nunes Marques; revisão criminal que questiona a condenação continua em tramitação
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) desistiu nesta quinta-feira (24) do pedido apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender o cumprimento da pena de 27 anos e três meses de prisão imposta no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.
A desistência ocorreu poucas horas depois de os advogados protocolarem a solicitação dirigida ao ministro Nunes Marques, relator da revisão criminal apresentada pela defesa.
Os advogados não informaram no pedido de desistência o motivo do recuo.
A retirada, no entanto, atinge somente o pedido de medida cautelar, que buscava interromper imediatamente o cumprimento da pena enquanto o Supremo analisa a revisão criminal.
A ação principal continua tramitando normalmente no STF. Nela, a defesa tenta modificar ou anular a condenação do ex-presidente.
Defesa questiona julgamento pela Primeira Turma
Um dos principais argumentos apresentados pelos advogados é de que Bolsonaro deveria ter sido julgado pelo plenário do STF, e não pela Primeira Turma da Corte.
A defesa sustenta que os fatos atribuídos ao ex-presidente teriam ocorrido durante o período em que ele ainda exercia a Presidência da República e, por isso, entende que o processo deveria ter sido analisado pelo plenário.
Esse questionamento já havia sido apresentado durante o julgamento e foi rejeitado pela Primeira Turma por quatro votos a um.
Os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia rejeitaram a tese. Luiz Fux foi o único integrante da Turma a votar favoravelmente ao argumento naquele momento.
No pedido apresentado nesta quinta-feira, os advogados alegaram ainda que a continuidade do cumprimento da pena antes do julgamento da revisão poderia provocar prejuízo irreparável caso a condenação venha posteriormente a ser anulada.
Revisão criminal continua
A revisão criminal foi protocolada em 8 de maio de 2026 e distribuída ao ministro Nunes Marques, integrante da Segunda Turma do Supremo.
Apesar da desistência da medida cautelar, a defesa pediu expressamente que a revisão prossiga e que sejam mantidos os argumentos e pedidos apresentados inicialmente.
O processo ainda não foi julgado.
Condenação ocorreu em 2025
Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF em setembro de 2025 a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
O ex-presidente foi preso em novembro de 2025. Posteriormente, em março deste ano, passou a cumprir prisão domiciliar por decisão judicial relacionada a problemas de saúde.
Atualmente, Bolsonaro cumpre a pena em sua residência no Jardim Botânico, em Brasília.
Com a desistência apresentada nesta quinta-feira, Nunes Marques não precisará analisar o pedido específico de suspensão imediata da execução da pena, mas continuará responsável pela relatoria da revisão criminal.
Não há, até o momento, data definida para o julgamento da revisão pelo Supremo.
Postado em 25/09/2026