Denúncias de assédio eleitoral crescem 75% após eleições
Denúncias de assédio eleitoral crescem 75% após eleições
MPT recebeu 1.459 novos registros em três dias. Paraná aparece em terceiro lugar no ranking nacional, com 338 denúncias.
As denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho aumentaram mais de 75% desde segunda-feira (26), um dia após o segundo turno das eleições. Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), foram registrados 1.459 novos casos em apenas três dias, elevando o total de denúncias recebidas em 2026 para 3.396.
Até a manhã de segunda-feira, o órgão contabilizava 1.937 registros. As novas ocorrências representam cerca de 40% de todas as denúncias recebidas ao longo do ano.
Paraná tem 338 denúncias
O Paraná aparece em terceiro lugar entre os estados com maior número de denúncias, com 338 registros. São Paulo lidera o levantamento, com 620 casos, seguido de Minas Gerais, com 351.
Confira os números dos estados com mais denúncias:
São Paulo: 620
Minas Gerais: 351
Paraná: 338
Rio de Janeiro: 252
Rio Grande do Sul: 223
Santa Catarina: 165
O aumento ocorre em meio a relatos de empregadores que teriam pressionado funcionários por causa de suas escolhas políticas, além de ameaças de demissão, perseguição e incentivos a boicotes contra trabalhadores que votaram em candidatos diferentes dos preferidos pelos patrões.
O que é assédio eleitoral?
O assédio eleitoral acontece quando alguém utiliza sua posição de poder no ambiente de trabalho para constranger, pressionar ou tentar influenciar a escolha política de outra pessoa. A prática pode envolver pressão para votar ou deixar de votar em determinado candidato, apoiar partidos ou manifestar posicionamentos políticos.
A conduta é ilegal e pode resultar em responsabilização do empregador.
Na terça-feira (27), a Justiça do Trabalho concedeu uma liminar proibindo a deputada estadual Índia Armelau (PL-RJ) de incentivar empregadores a discriminar, demitir ou perseguir trabalhadores por suas convicções políticas. A decisão prevê multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.
Na quarta-feira (28), o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o governo estuda criar uma lista de empresas envolvidas em casos de assédio eleitoral. Entre as medidas em análise está a restrição ao acesso a créditos públicos por empresas que pratiquem a ilegalidade.
Trabalhadores podem buscar a Justiça
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, afirmou que a resposta aos responsáveis por práticas ilegais deve ser rápida e destacou que as consequências econômicas para os empregadores podem ser significativas.
A Lei Federal nº 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias que prejudiquem o acesso ou a manutenção de uma pessoa no emprego.
O trabalhador que considerar ter sofrido discriminação por sua posição política pode buscar a Justiça do Trabalho. Dependendo do caso e da decisão judicial, o empregador poderá ser condenado a indenizar o funcionário, reintegrá-lo ao emprego ou pagar em dobro os salários referentes ao período de afastamento.
Como denunciar
Quem suspeitar de assédio eleitoral pode procurar o Ministério Público do Trabalho (MPT) para registrar uma denúncia, inclusive após o encerramento das eleições.
O órgão recebe relatos de pressão política, ameaças, perseguição ou discriminação no ambiente profissional. É importante reunir, quando possível, mensagens, documentos, gravações e outros elementos que ajudem a demonstrar os fatos.
A liberdade de escolha política é um direito do trabalhador, e a relação de emprego não pode ser utilizada para impor apoio a candidatos ou partidos.
Postado em 29/10/2026