Excesso de chuvas atrasa plantio da soja no Paraná e acende alerta para segunda safra
Excesso de chuvas atrasa plantio da soja no Paraná e acende alerta para segunda safra
O excesso de chuvas registrado nos últimos dias no Paraná começa a interferir no planejamento da safra 2026/27. No Sudoeste, produtores enfrentam dificuldades para avançar com o plantio da soja e já avaliam possíveis mudanças na segunda safra. No Noroeste do Estado, onde soja e milho também têm forte presença, as condições climáticas são acompanhadas com atenção, principalmente por causa da janela de plantio das culturas.
O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, mantém acompanhamento semanal das condições das lavouras e do avanço da safra nas diferentes regiões paranaenses. A próxima atualização mensal da estimativa de safra está prevista para quinta-feira (24).
Em Pato Branco, no Sudoeste, o impacto das chuvas já é mais evidente. Segundo Luiz Parsianello, trader da Cerealista R. N. Perusso, em condições normais entre 30% e 35% da soja da região deveria estar semeada neste período. Atualmente, a estimativa é de apenas 10% a 15%.
Em episódios recentes, os volumes de chuva ultrapassaram 150 milímetros. Além de impedir a entrada das máquinas, a grande quantidade de água acumulada deixou o solo encharcado. As temperaturas mais baixas também podem retardar a retomada dos trabalhos mesmo quando as chuvas diminuírem.
Noroeste acompanha condições para avanço da soja
No Noroeste do Paraná, que inclui importantes áreas agrícolas atendidas pelos núcleos regionais de Maringá, Paranavaí e Umuarama, o andamento da safra também depende diretamente das condições de umidade do solo e da ocorrência de novas chuvas.
O Deral realiza o monitoramento regionalizado das culturas em andamento, incluindo essas regiões, o que permite acompanhar diferenças importantes dentro do Estado.
Para os agricultores do Noroeste, a atenção não está somente na implantação da soja. O calendário da oleaginosa influencia diretamente a cultura seguinte, especialmente o milho segunda safra, que ocupa grandes extensões no Norte e Noroeste paranaense.
Quanto mais tarde a soja for implantada e, consequentemente, colhida, menor poderá ser a janela disponível para o milho. Essa relação entre a colheita da soja e a implantação do milho safrinha já é acompanhada pelo Deral como um fator importante para o desempenho das duas culturas no Paraná.
Atraso pode mudar planejamento da segunda safra
Em Pato Branco, agricultores que planejavam plantar milho depois da soja já começam a considerar alternativas caso a colheita da oleaginosa seja empurrada para fevereiro.
Segundo Parsianello, naquela região o milho segunda safra precisa ser implantado preferencialmente até 15 ou 20 de janeiro para preservar melhor potencial produtivo. Quanto mais tarde ocorre o plantio, maiores são os riscos climáticos e de redução da produtividade.
A experiência da última temporada também influencia a decisão. Lavouras implantadas mais tarde ficaram mais expostas às geadas ocorridas em maio e junho.
Diante desse cenário, alguns produtores estudam ampliar o cultivo do feijão, que possui ciclo mais curto e menor custo de implantação, reduzindo parte da área inicialmente destinada ao milho. A soja de segunda safra também aparece entre as possibilidades avaliadas.
Milho verão e trigo também são afetados
As chuvas também interferiram no milho verão em Pato Branco. A estimativa é de que o plantio já deveria estar concluído, mas aproximadamente 80% da área foi semeada, restando cerca de 20%.
As primeiras lavouras, implantadas no fim de agosto, foram beneficiadas pela chegada da umidade. Depois, porém, o excesso de precipitação e temperaturas entre 5°C e 6°C prejudicaram principalmente a emergência das plantas.
O trigo é outra preocupação. A área cultivada em Pato Branco teria diminuído aproximadamente 30% nesta temporada, depois de já registrar redução no ciclo anterior. Embora muitas lavouras apresentem visualmente boas condições, produtores relatam aumento da pressão de doenças, enquanto algumas áreas prontas para a colheita podem sofrer perdas caso as chuvas persistam.
Umidade aumenta preocupação com doenças na soja
Além de atrasar o plantio, um ambiente mais quente e úmido ao longo da safra exige atenção redobrada com doenças da soja, especialmente a ferrugem asiática.
O cenário reforça a importância do acompanhamento das condições climáticas nas próximas semanas. No Noroeste, a velocidade de implantação da soja será especialmente importante porque poderá definir também o calendário do milho segunda safra.
Assim, enquanto o Sudoeste já registra atraso expressivo provocado pelo excesso de chuva, produtores de outras regiões agrícolas do Paraná acompanham o comportamento do clima para definir o ritmo do plantio e, posteriormente, as estratégias para a segunda safra.
Postado em 22/09/2026