Chuvas elevam preços de tomate, batata, cebola e alface
Chuvas elevam preços de tomate, batata, cebola e alface
Levantamento da Conab aponta alta de até 48,9% em setembro. Excesso de umidade prejudicou colheitas, qualidade dos produtos e atividades no campo.
As chuvas registradas nas principais regiões produtoras de hortaliças reduziram a oferta e provocaram aumento nos preços de quatro dos cinco produtos acompanhados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em setembro. O tomate liderou as altas, com valorização de 48,90% nos mercados atacadistas analisados.
Segundo o 10º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), divulgado na terça-feira (27), a batata teve aumento de 32,88%, seguida pela cebola, com 29,31%, e pela alface, com 15,69%.
A cenoura foi a única hortaliça que apresentou queda, com redução de 16% nos preços em relação a agosto.
As chuvas dificultaram as colheitas, atrasaram atividades no campo e prejudicaram o desenvolvimento das lavouras. Além de diminuir a disponibilidade de alguns produtos, o excesso de umidade favoreceu doenças e problemas de qualidade.
Problemas nas lavouras
Os impactos foram registrados em diferentes regiões produtoras. Em Araguari (MG), as chuvas favoreceram doenças bacterianas nas plantações de tomate, provocando manchas nos frutos e dificultando o controle fitossanitário.
Na produção de cebola do Triângulo Mineiro, a umidade contribuiu para problemas que comprometem a qualidade dos bulbos. Já na batata, o atraso na retirada dos tubérculos do campo resultou em mercadorias depreciadas, com parte dos produtos sendo comercializada por valores menores.
Entre as folhosas, o encharcamento do solo prejudicou o desenvolvimento das plantas e aumentou os descartes. Em Mogi das Cruzes (SP), produtores relataram perdas principalmente na alface americana.
Preços começam a recuar em outubro
Com a melhora do tempo e a retomada das colheitas, alguns mercados começaram a registrar queda nos preços em outubro.
A batata apresentou recuos pela sexta semana consecutiva nos mercados acompanhados pelo Hortifrúti/Cepea. Entre 17 e 23 de outubro, as cotações caíram 12% em São Paulo, 20,8% no Rio de Janeiro e 13,72% em Belo Horizonte.
A cebola também ficou mais barata com o aumento da oferta no Triângulo Mineiro e em Cristalina (GO). Já o tomate apresentou comportamento diferente entre as regiões, com queda em alguns mercados e valorização em outros.
A alface continuou pressionada pelas chuvas em determinadas localidades. Em Teresópolis (RJ), o volume de precipitação acumulado até 27 de outubro chegou a 364 milímetros, 128% acima da média histórica mensal.
Na parcial de outubro até o dia 28, o preço médio da alface americana na região estava quase 100% acima do registrado no mesmo período de 2025. A alface crespa apresentou valorização de 256%.
Cenário ainda exige atenção
Mesmo com a retomada das colheitas, os efeitos das chuvas continuam presentes na horticultura. Problemas sanitários, perdas de qualidade e alterações no calendário de plantio podem influenciar a produção nos próximos meses.
A Conab e os levantamentos do Cepea mostram que a recuperação da oferta não depende apenas da melhora do clima. O volume colhido, a qualidade dos produtos e a capacidade dos produtores de recuperar as lavouras também interferem nos preços e nas condições de comercialização.
Postado em 30/10/2026 - Por: Noticias Agrícolas