Clubes discutem até paralisação do Brasileirão após proibição das bets
Clubes discutem até paralisação do Brasileirão após proibição das bets
Dirigentes temem impacto financeiro com perda de patrocinadores e cobram período de transição
Dirigentes de clubes da elite do futebol brasileiro discutem medidas para reduzir os impactos financeiros provocados pela proibição das casas de apostas online no Brasil. Entre as possibilidades debatidas está até uma eventual paralisação do Campeonato Brasileiro.
A mudança ocorreu após a publicação da Medida Provisória nº 1.394/2026, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro. A medida proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país e estabelece regras para o encerramento das operações.
Clubes temem perda de receita
As casas de apostas se tornaram importantes patrocinadoras do futebol brasileiro. Em 2025, os patrocínios das bets aos clubes da Série A chegaram a aproximadamente R$ 1,03 bilhão, segundo levantamento da consultoria Convocados citado pela Folha de S.Paulo.
Diante desse cenário, dirigentes defendem um período de transição, argumentando que contratos e compromissos financeiros dos clubes foram planejados considerando receitas provenientes desses patrocinadores.
Uma reunião entre representantes do governo e dos clubes, que teria intermediação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), estava prevista para terça-feira (29), mas acabou cancelada diante da possibilidade de boicote dos times.
Paralisação é uma possibilidade discutida
A suspensão do Campeonato Brasileiro aparece como uma das alternativas discutidas nos bastidores para pressionar por uma negociação, mas não há decisão anunciada de interromper a competição.
O presidente Lula, por sua vez, tem defendido a proibição das bets e argumentado que o futebol brasileiro já viveu grandes momentos antes de depender financeiramente das empresas de apostas. O governo também cita problemas relacionados ao endividamento e à dependência em jogos como justificativas para a medida.
A medida provisória já está em vigor, mas precisa passar pelo Congresso Nacional para permanecer válida de forma definitiva.
Postado em 30/09/2026 - Por: Folha Press