Deputado Arilson pede à Polícia Federal investigação sobre atuação de Filipe Barros em favor do Banco Master
Deputado Arilson pede à Polícia Federal investigação sobre atuação de Filipe Barros em favor do Banco Master
O deputado estadual Arilson Chiorato (PT), presidente estadual do partido e líder da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), protocolou um pedido para que a Polícia Federal (PF) investigue uma possível atuação do deputado federal Filipe Barros (PL-PR) em favor dos interesses do Banco Master e de seu controlador, Daniel Vorcaro.
O documento foi apresentado na quinta-feira (6) e solicita ainda que o caso seja encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), órgão responsável por analisar eventual abertura de investigação contra parlamentares federais junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Pedido cita projeto de lei e requerimentos
Na representação, Arilson pede a apuração de um conjunto de iniciativas parlamentares apresentadas por Filipe Barros entre 2024 e 2025, incluindo:
um projeto de lei;
sete requerimentos;
uma audiência pública.
Segundo o parlamentar, é necessário esclarecer se essas ações fizeram parte da atividade legislativa regular ou se foram utilizadas para favorecer interesses privados relacionados ao Banco Master.
O pedido também solicita investigação sobre a existência de eventuais contrapartidas financeiras, ressaltando, porém, que a representação não afirma que houve pagamentos ou prática de crime, mas pede que essa possibilidade seja apurada pelas autoridades competentes.
Projeto previa aumento da cobertura do FGC
Um dos principais pontos da representação é o Projeto de Lei nº 4.395/2024, apresentado por Filipe Barros em novembro de 2024.
A proposta previa elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por cliente e por instituição financeira.
Segundo Arilson, a medida poderia beneficiar instituições financeiras que oferecem aplicações de maior rentabilidade amparadas pela garantia do fundo, modelo que, conforme a representação, estaria associado ao Banco Master.
O documento também cita reportagem do jornal O Globo, segundo a qual proposta semelhante apresentada anteriormente no Senado teria sido elaborada por pessoas ligadas ao Banco Master.
Diante disso, o deputado estadual solicita que a investigação esclareça a origem do texto apresentado na Câmara dos Deputados e se houve participação de representantes da instituição financeira na elaboração da proposta.
Declaração do deputado
Ao justificar o pedido, Arilson afirmou que o objetivo é esclarecer os fatos.
"Não estamos condenando ninguém antes da investigação. O que estamos dizendo é que existem fatos que precisam ser explicados. Se um mandato público foi usado para ajudar um banco privado, o povo tem o direito de saber por quê, como isso aconteceu e quem se beneficiou", declarou.
Em outro trecho, o parlamentar acrescenta:
"Fiscalizar faz parte do mandato. O que precisa ser investigado é se essa estrutura foi usada para defender um interesse privado."
Atuação na Comissão de Relações Exteriores
A representação também menciona requerimentos e uma audiência pública apresentados por Filipe Barros quando presidia a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.
Segundo o documento, essas iniciativas trataram de decisões envolvendo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central, em um período em que o Banco Master enfrentava dificuldades financeiras e buscava viabilizar sua venda ao Banco de Brasília (BRB).
Pedido inclui apuração de possíveis contatos
Entre as diligências solicitadas estão:
identificação dos autores dos textos legislativos;
análise dos documentos utilizados na elaboração das propostas;
apuração de eventuais contatos entre Filipe Barros, Daniel Vorcaro, representantes do Banco Master, Eduardo Bolsonaro e possíveis intermediários.
O pedido também requer que, caso sejam encontrados indícios suficientes, os órgãos competentes avaliem medidas como o acesso a informações bancárias, fiscais e de comunicação para verificar eventual existência de vantagens financeiras relacionadas aos fatos investigados.
Representação não significa condenação
Na representação, Arilson ressalta que os atos parlamentares mencionados não constituem prova de crime, mas defende que a sequência de iniciativas e sua possível relação com interesses privados justificam a abertura de investigação para esclarecer os fatos.
Até o momento, não havia divulgação de manifestação oficial do deputado federal Filipe Barros sobre a representação protocolada por Arilson Chiorato. Em declarações anteriores à imprensa, citadas no documento, Filipe Barros afirmou que apresentou o projeto de lei por considerar a proposta positiva para os investidores e negou ter tratado do tema com Daniel Vorcaro.
Postado em 08/08/2026 Por: Assessoria