Pesquisa revela que violência contra crianças ainda é comum, apesar de maioria defender o diálogo
Pesquisa revela que violência contra crianças ainda é comum, apesar de maioria defender o diálogo
Embora a grande maioria dos brasileiros considere o diálogo a melhor forma de educar crianças, a violência física e verbal ainda faz parte da realidade de muitas famílias no país. É o que aponta uma pesquisa realizada pelo instituto Quaest, a pedido do Instituto Infinis.
O levantamento mostra que nove em cada dez entrevistados acreditam que conversar é a maneira mais adequada de corrigir o comportamento infantil. No entanto, 62% admitiram já ter gritado com uma criança, 49% disseram ter dado tapas e 27% afirmaram ter usado objetos para bater.
Os dados reforçam um contraste entre o que a população considera ideal e as práticas que ainda são adotadas no dia a dia. Segundo o Instituto Infinis, compreender essa diferença é essencial para desenvolver políticas públicas que ajudem a romper o ciclo de violência entre gerações.
A pesquisa também revelou que muitos brasileiros evitam intervir quando presenciam agressões contra crianças. Cerca de 62% disseram que não costumam interferir, seja por acreditarem que a educação dos filhos é responsabilidade exclusiva da família ou por medo da reação do agressor.
Trabalho infantil ainda divide opiniões
Outro ponto abordado pelo estudo foi a percepção sobre o trabalho infantil. Apesar de 93% dos entrevistados defenderem que os estudos devem ser prioridade, 61% consideram aceitável que crianças trabalhem em determinadas situações. Entre os adolescentes, 88% acreditam que eles podem trabalhar se desejarem, e 71% afirmam que devem trabalhar quando os pais determinarem.
Conhecimento sobre direitos ainda é baixo
A pesquisa também identificou que 71% dos entrevistados não souberam citar leis de proteção à infância, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), indicando que ainda há desconhecimento sobre os mecanismos legais voltados à defesa dos direitos das crianças e adolescentes.
Denúncias continuam elevadas
Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania mostram que, apenas nos quatro primeiros meses de 2026, o Brasil registrou 115.814 denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes. Atualmente, o país possui cerca de 55 milhões de pessoas com menos de 18 anos.
A pesquisa ouviu 2.202 brasileiros maiores de 18 anos, entre maio e junho de 2026. A versão completa do estudo será apresentada em setembro, durante o 8º Fórum de Políticas Públicas da Saúde na Infância (FPPSI), promovido pelo Instituto Infinis.
Postado em 16/07/2026 - Imagem: UOl