Com preço 40% menor, cigarros ilegais dominam o mercado paranaense
Com preço 40% menor, cigarros ilegais dominam o mercado paranaense
De cada 100 cigarros comercializados no Paraná, 63 vêm da ilegalidade, como frutos de contrabando, na maior parte das vezes oriundo do Paraguai. É isso o que revelam dados da mais recente pesquisa Ipsos Ipec, divulgada pelo Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP). De acordo com a entidade, o mercado ilegal de cigarros atingiu um novo patamar no Paraná, que se consolidou como um dos maiores centros de ilegalidade do país.
Em 2025, acusa o levantamento, 63% de todo o mercado de cigarros paranaense foi abastecido por produtos ilegais. Para se ter uma dimensão do que isso representa, é mais que o dobro da média nacional, hoje em 31%. Além disso, é o maior patamar registrado no estado desde 2021, quando esse índice era de 60%. No Brasil, esse porcentual já recuou (chegou a ser de 41% em 2023, por exemplo).
Uma das explicações para esse cenário é a proximidade do Paraná com o Paraguai, o que faz do estado a principal porta de entrada de contrabando. Só no ano passado, por exemplo, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) interceptou 48,3 milhões de maços de cigarro em todo o país. O Paraná foi o líder em apreensões, com 26,3 milhões (o equivalente a 54,5% do total nacional).
Faturamento bilionário pro crime e prejuízo milionário pro Estado
De acordo com especialistas, a disparidade de tributos entre Brasil e Paraguai é um dos maiores atrativos para a atividade ilegal. Enquanto aqui os impostos sobre o cigarro ficam entre 70% e 90%, no país vizinho a taxa média é de 13%.
“É essa vantagem econômica que faz o crime crescer e permite que o produto ilegal chegue ao consumidor a um preço quase 40% menor do que o regular, que paga os impostos em dia”, aponta o FNCP.
Conquistando uma ampla fatia do mercado, as quadrilhas que comercializam cigarros ilegais no Paraná movimentaram R$ 1,8 bilhão no ano passado. Em sonegação fiscal, considerando apenas o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o prejuízo chega a R$ 660 milhões.
Números que, de acordo com o FNCP, expõem uma emergência econômica e de segurança pública. É que o mercado ilegal não apenas distorce a concorrência e compromete a arrecadação, mas consolida o cigarro como um dos principais vetores de financiamento do crime organizado.
Mercado ilegal de cigarros e o crime organizado
De acordo com Edson Vismona, presidente do FNCP, “o alto lucro e a ampla capilaridade tornam o mercado ilícito de cigarros uma das principais atividades criminosas em operação na atualidade”. Foi isso, inclusive, o que mostrou um estudo recente da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com base em dados nacionais. Conforme os pesquisadores, cada aumento de 1 ponto percentual na taxa de ilegalidade do mercado de cigarros está estatisticamente associado a 239 novos homicídios dolosos por ano, além de 892 ocorrências de tráfico de drogas, 629 apreensões de armas de fogo, entre outros crimes.
Ou seja, aponta ainda o FNCP, as ilegalidades não são fenômenos separados. Na realidade, elas integram uma mesma cadeia criminosa que conecta contrabando, violência e outros mercados ilícitos. “O mercado ilegal de cigarros usa as mesmas rotas e estruturas de outros mercados ilícitos e financia drogas, armas e combustíveis contrabandeados. Quando ele é contido, a criminalidade cai”, conclui Vismona.
Por Bem Parana - Postado em 19/03/2026