Janela ideal do milho safrinha termina e produtores enfrentam decisão: plantar com risco ou mudar de cultura
Janela ideal do milho safrinha termina e produtores enfrentam decisão: plantar com risco ou mudar de cultura
A janela ideal para o plantio do milho segunda safra, conhecido como milho safrinha, terminou no final de fevereiro nas principais regiões produtoras do Brasil. A partir de agora, lavouras semeadas em março ficam mais expostas a riscos climáticos e podem apresentar menor produtividade ao final da temporada.
Segundo estimativas do analista Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, ainda faltam entre 3,5 e 4 milhões de hectares da área prevista para a safrinha que permanecem sem plantio e sob risco de perdas.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que 64,9% da segunda safra de milho havia sido semeada até o final de fevereiro. Ainda restam cerca de 6 milhões de hectares para atingir a projeção total de 17,8 milhões de hectares prevista para esta temporada.
Plantio fora da janela aumenta riscos
Com o atraso no calendário agrícola, produtores agora enfrentam um dilema: seguir com o plantio mesmo fora da janela ideal ou optar por outras culturas.
De acordo com o analista Eduardo Seccarecio, da Agrifatto Consultoria, a tendência é que a maior parte dos produtores continue apostando no milho, mesmo com risco maior.
Em algumas regiões, porém, culturas alternativas podem ganhar espaço. Entre elas, o sorgo, que tem apresentado crescimento no mercado e melhor adaptação ao plantio fora do período ideal.
Produtores seguem plantando apesar do risco
Em Jataí, a produtora rural Lia Katzer relata que cerca de 30% da área ainda precisa ser plantada, e a decisão foi continuar com o milho.
Segundo ela, a estratégia será reduzir custos e ajustar o manejo para diminuir o risco da lavoura.
Já em Bebedouro, o atraso na colheita da soja comprometeu o calendário agrícola, e muitas áreas devem migrar para o sorgo, que tem se mostrado uma alternativa viável.
Impacto também no Paraná
No Paraná, o atraso da soja também afeta o início da safrinha. Na região de Sertanópolis, apenas 5% da área de soja havia sido colhida no final de fevereiro, quando o normal seria cerca de 40%.
Segundo o produtor Marilson Dorigon, o plantio do milho deve se estender até o final de março, o que aumenta a preocupação com o seguro rural e com o risco climático da lavoura.
Produção pode ser menor
O atraso no plantio já começa a impactar as projeções de produção. A consultoria Safras & Mercado reduziu em cerca de 1 milhão de toneladas a estimativa para a segunda safra de milho, agora projetada em 100,5 milhões de toneladas.
A própria Conab também revisou para baixo a previsão, passando de 110,4 milhões para 109,2 milhões de toneladas.
Preço do milho já reage
Com a possibilidade de menor produção, o mercado já começa a reagir. Na B3, os contratos futuros de milho para julho e setembro de 2026 já se aproximam de R$ 70 por saca, após terem sido negociados recentemente na faixa de R$ 66.
Analistas avaliam que atrasos no plantio e possíveis perdas na safra podem pressionar ainda mais os preços nos próximos meses.
Por: Noticias ao Minuto - Postado em 04/03/2026