Tarifa adicional dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22)
Tarifa adicional dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta-feira (22)
A partir da 1h01 desta quarta-feira (22), pelo horário de Brasília, entram em vigor as novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada pelo governo do presidente Donald Trump há uma semana, deve impactar cerca de 3 mil produtos exportados pelo Brasil para o mercado norte-americano.
A decisão foi tomada após investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial americana, que avalia práticas consideradas prejudiciais aos interesses econômicos do país.
Produtos afetados e isenções
Entre os setores atingidos pelo novo tarifaço estão as exportações de máquinas agrícolas, papel, vestuário e etanol.
Por outro lado, mais de 2.100 produtos brasileiros ficaram fora da cobrança adicional. Permanecem isentos itens importantes da pauta de exportações, como:
Carne bovina;
Café;
Petróleo;
Laranja e suco de laranja;
Peças utilizadas na fabricação de aeronaves.
Segundo estimativas do governo brasileiro, as novas tarifas devem atingir cerca de 18% das exportações nacionais destinadas aos Estados Unidos.
Justificativas do governo americano
No relatório divulgado pelo USTR, o governo americano afirma que determinadas políticas adotadas pelo Brasil prejudicam agricultores, trabalhadores, exportadores e empresas dos Estados Unidos.
Entre os pontos citados estão:
Comércio digital;
Sistema de pagamentos Pix;
Tarifas comerciais;
Propriedade intelectual;
Produção de etanol;
Desmatamento ilegal;
Questões relacionadas à corrupção.
O documento também menciona que o Pix teria criado uma concorrência desfavorável para empresas americanas de cartões de crédito.
Outro argumento utilizado é que o desmatamento reduziria os custos de produção agrícola no Brasil, fator que levou à retirada da celulose de alta pureza da lista de produtos isentos.
Governo brasileiro contesta medida
O governo brasileiro rejeitou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e afirma que os dados oficiais mostram redução dos índices de desmatamento e crescimento da participação das operadoras americanas de cartões mesmo após a implantação do Pix.
Além disso, o Brasil destaca que mantém um fluxo comercial significativo com os Estados Unidos e pretende utilizar os mecanismos previstos na legislação brasileira e nas normas internacionais para contestar as tarifas.
Setor produtivo demonstra preocupação
A nova rodada de tarifas preocupa empresários e entidades do setor produtivo.
A Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) estima que aproximadamente US$ 11 bilhões (cerca de R$ 55,9 bilhões) em exportações possam ser afetados pela medida. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresenta projeções semelhantes, enquanto o governo brasileiro calcula um impacto próximo de US$ 5,8 bilhões (cerca de R$ 30 bilhões).
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos já apresentou retração de 12,8% no primeiro semestre, movimentando US$ 36,4 bilhões, com saldo comercial favorável aos Estados Unidos.
Indústria teme perda de competitividade
Entidades industriais alertam que o aumento das tarifas poderá reduzir ainda mais a competitividade dos produtos brasileiros frente aos concorrentes internacionais.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informa que, desde 2025, as exportações de bens industriais brasileiros já acumulam queda de 8,7%, afetando principalmente os setores de ferro e aço, celulose e derivados de petróleo.
A Abimaq, que representa a indústria de máquinas e equipamentos, informou que o setor exportou cerca de US$ 3,2 bilhões para os Estados Unidos no último ano. Já a Abicalçados classificou a decisão como um retrocesso nas relações comerciais entre os dois países.
No setor sucroenergético, a Unica criticou a tarifa sobre o etanol brasileiro e afirmou que a política tarifária do Brasil segue as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC), destacando que não existe acordo bilateral que obrigue o país a conceder tratamento tarifário diferenciado ao etanol produzido nos Estados Unidos.
A expectativa do setor produtivo é que as negociações diplomáticas entre os dois países avancem nos próximos meses para reduzir os impactos das novas barreiras comerciais sobre as exportações brasileiras.
Postado em 22/07/2026