Trabalho invade o tempo de descanso e aumenta o estresse entre trabalhadores, apontam estudos
Trabalho invade o tempo de descanso e aumenta o estresse entre trabalhadores, apontam estudos
Responder e-mails à noite, atender mensagens de trabalho nos fins de semana e permanecer conectado fora do expediente tornou-se uma realidade para milhões de trabalhadores. Estudos recentes mostram que a chamada cultura da "disponibilidade permanente" tem aumentado os níveis de estresse, prejudicado o equilíbrio entre vida profissional e pessoal e afetado a saúde mental.
Levantamento da Eurofound, agência da União Europeia para a melhoria das condições de vida e trabalho, aponta que cerca de um em cada cinco trabalhadores europeus é contatado por assuntos profissionais fora do horário de expediente diversas vezes por mês. A pesquisa revela que esse hábito está diretamente relacionado ao aumento do estresse.
Segundo o estudo, 59% dos trabalhadores afirmam sentir estresse no trabalho com frequência. Entre aqueles que nunca recebem contatos fora do expediente, apenas 17% relatam esse problema, evidenciando a relação entre a disponibilidade constante e o desgaste emocional.
Teletrabalho ampliou os limites do expediente
O crescimento do trabalho remoto e dos modelos híbridos contribuiu para tornar mais tênues os limites entre o horário de trabalho e a vida pessoal.
Funcionários que trabalham em casa ou possuem horários flexíveis são os mais afetados. A Eurofound aponta que 63% dos teletrabalhadores recebem contatos profissionais fora do expediente, enquanto esse índice é de 48% entre quem atua exclusivamente de forma presencial.
Além disso, 64% dos profissionais com horários flexíveis afirmam ser acionados após o expediente, percentual superior ao registrado entre trabalhadores com jornada tradicional.
Reino Unido também registra cenário preocupante
No Reino Unido, um levantamento da empresa MyPerfectCV mostrou que mais da metade dos trabalhadores faz horas extras diariamente.
Outro estudo, realizado pelo Trades Union Congress (TUC), estima que aproximadamente 3,5 milhões de britânicos realizaram trabalho extra sem remuneração no último ano, o equivalente a bilhões de libras em horas trabalhadas gratuitamente.
A pesquisa também revela que:
92% dos trabalhadores têm dificuldade para "desligar" mentalmente do trabalho durante o descanso;
88% sentem ansiedade ou culpa ao solicitar férias;
o medo de perder informações, a pressão da gestão e aplicativos corporativos nos celulares contribuem para manter os profissionais conectados o tempo todo.
Países europeus criam regras para proteger o descanso
Diante desse cenário, diversos países europeus adotaram medidas para proteger o chamado "direito à desconexão". França, Espanha, Portugal, Bélgica, Itália, Irlanda, Grécia e Luxemburgo já possuem legislações, acordos coletivos ou normas internas que limitam contatos profissionais fora do expediente.
As medidas buscam preservar a saúde mental dos trabalhadores e garantir períodos efetivos de descanso. Apesar disso, especialistas apontam que a fiscalização ainda representa um desafio, principalmente em empresas com equipes internacionais, trabalho híbrido e profissionais que atuam em diferentes fusos horários.
Saúde mental e qualidade de vida
Especialistas destacam que estabelecer limites entre trabalho e vida pessoal tornou-se um dos principais desafios do mercado de trabalho moderno. A recomendação é que empresas desenvolvam políticas claras sobre horários de contato e incentivem uma cultura organizacional que respeite o tempo de descanso dos colaboradores.
Além de reduzir o estresse, a desconexão contribui para melhorar a produtividade, fortalecer a saúde mental e prevenir casos de esgotamento profissional, conhecido como burnout.
Postado em 03/08/2026