Brasil bate recorde e chega a 9,1 milhões de empresas inadimplentes
Brasil bate recorde e chega a 9,1 milhões de empresas inadimplentes
Dívidas em atraso somam R$ 232,9 bilhões; micro e pequenas empresas representam cerca de 95% dos negócios negativados
O Brasil atingiu um novo recorde no número de empresas com contas em atraso. Em junho, 9,1 milhões de CNPJs estavam inadimplentes, maior quantidade registrada desde o início da série histórica, em 2016, segundo levantamento da Serasa Experian.
O valor das dívidas também chegou ao maior patamar da série: R$ 232,9 bilhões. Em maio, eram 9 milhões de empresas negativadas, acumulando R$ 229,9 bilhões em débitos.
Isso significa que, em apenas um mês, aproximadamente 100 mil empresas entraram para a inadimplência, enquanto o estoque de dívidas cresceu cerca de R$ 3 bilhões.
Dívida média supera R$ 25,5 mil por empresa
Segundo o levantamento, cada empresa negativada acumulava, em média, 7,3 contas em atraso.
O valor médio devido por CNPJ chegou a R$ 25.508,96. As pendências incluem compromissos com instituições financeiras, fornecedores e serviços essenciais, como energia elétrica e telecomunicações.
Os números revelam a pressão financeira enfrentada pelo setor produtivo e mostram que o problema está concentrado principalmente entre os negócios de menor porte.
Pequenos negócios são 95% dos inadimplentes
Dos 9,1 milhões de CNPJs negativados em junho, aproximadamente 8,7 milhões eram micro e pequenas empresas.
O número representa cerca de 95% do total de empresas inadimplentes no país.
Esse segmento tende a ser mais sensível às oscilações da economia, principalmente diante da redução das vendas, aumento dos custos operacionais e dificuldade de acesso a linhas de crédito em condições favoráveis.
Por setor, serviços lideram a inadimplência, concentrando 55,7% das empresas negativadas. O comércio aparece em segundo lugar, com 32,2%.
Juros elevados pressionam empresas
O avanço das dívidas ocorre em um ambiente de crédito caro. Com a taxa Selic em 14% ao ano, operações como empréstimos, financiamento de capital de giro e renegociação de débitos ficam mais caras.
Para micro e pequenas empresas, que normalmente possuem menor capacidade financeira para enfrentar períodos prolongados de queda nas receitas, os juros elevados podem comprometer ainda mais o fluxo de caixa.
A inflação, as condições fiscais, as expectativas do mercado e o nível da atividade econômica estão entre os diversos fatores considerados pelo Banco Central na condução da política monetária.
Inadimplência das famílias também preocupa
Outro fator que pode atingir diretamente as empresas é o endividamento dos consumidores. Segundo os dados apresentados, 83,9 milhões de brasileiros estavam negativados em julho.
Quando uma parcela maior da renda das famílias fica comprometida com dívidas e despesas essenciais, há menos recursos disponíveis para o consumo, o que pode afetar as vendas do comércio e a contratação de serviços.
Forma-se, assim, uma situação especialmente difícil para os pequenos negócios: de um lado, crédito caro e custos elevados; de outro, consumidores com menor capacidade financeira.
Recuperação judicial vira alternativa para empresas em crise
A dificuldade para cumprir compromissos financeiros também pode levar empresas a recorrer à recuperação judicial.
O instrumento permite que negócios em situação de crise financeira busquem proteção judicial para apresentar um plano de reorganização e negociar determinadas dívidas com credores, tentando preservar as atividades, empregos e capacidade produtiva.
O recorde de 9,1 milhões de empresas inadimplentes e R$ 232,9 bilhões em dívidas evidencia o desafio enfrentado pelo setor empresarial brasileiro, especialmente pelas micro e pequenas empresas, que concentram a grande maioria dos CNPJs com contas atrasadas.
Postado em 18/08/2026