Acidentes com escorpiões aumentam 15% e acendem alerta em Maringá e região
Acidentes com escorpiões aumentam 15% e acendem alerta em Maringá e região
Com a chegada da primavera e a elevação gradual das temperaturas, aumenta também a preocupação com os acidentes envolvendo escorpiões em Maringá e municípios da região. Dados do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), do Hospital Universitário de Maringá (HUM/UEM), mostram que 902 ocorrências foram atendidas entre janeiro e agosto de 2026.
O número já supera todos os registros de 2024, quando foram contabilizados 842 acidentes com escorpiões durante os 12 meses do ano. Na comparação com janeiro a agosto de 2025, quando ocorreram 767 atendimentos, o crescimento em 2026 é de aproximadamente 15%.
O CIATox atende casos de intoxicação e acidentes com animais peçonhentos dos municípios pertencentes à 15ª Regional de Saúde do Paraná.
Especialista fala em “crise silenciosa”
Segundo a coordenadora do CIATox, enfermeira Marcia Guedes, a região enfrenta uma espécie de “crise silenciosa” relacionada à proliferação dos escorpiões.
Entre os fatores apontados estão as temperaturas elevadas, que favorecem a reprodução, e a adaptação desses animais ao ambiente urbano. O escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), responsável pela maior parte dos atendimentos registrados pelo serviço, consegue se reproduzir por partenogênese, sem necessidade de acasalamento.
Nas cidades, locais com entulho, lixo, folhas secas e presença de insetos podem oferecer abrigo e alimento para esses animais.
Por isso, a recomendação é manter quintais e terrenos limpos, evitar acúmulo de materiais e combater principalmente baratas e outros insetos, que servem de alimento aos escorpiões.
Acidentes com animais peçonhentos também aumentaram
O crescimento não se limita aos escorpiões. Entre janeiro e agosto deste ano, o CIATox contabilizou 1.291 atendimentos relacionados a animais peçonhentos, contra 1.004 no mesmo período de 2025.
Além dos casos envolvendo escorpiões, foram registrados 186 acidentes com aranhas, 62 envolvendo abelhas, formigas e vespas, 47 com serpentes e outros 46 relacionados a diferentes animais peçonhentos ou venenosos.
O que fazer após uma picada de escorpião
A orientação é lavar o local da picada com água e sabão e procurar atendimento médico imediatamente. Crianças menores de 7 anos e pessoas com mais de 60 anos merecem atenção especial devido ao maior risco de complicações.
A intensidade dos sintomas pode variar. Nos quadros leves, podem ocorrer dor e alterações de sensibilidade no local. Casos moderados podem apresentar dor intensa, vômitos, suor, agitação, aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial. Nos casos graves, podem surgir vômitos intensos, falta de ar e choque, com risco de morte.
A coordenadora do CIATox também alerta que não é necessário se colocar em risco para capturar o escorpião. Fotos ou vídeos podem auxiliar na identificação, desde que sejam realmente do animal envolvido no acidente.
Caso seja possível realizar a captura sem risco, o animal pode ser colocado em recipiente seguro e vedado para apresentação aos profissionais de saúde. O soro antiescorpiônico não é utilizado em todos os acidentes, sendo a indicação definida conforme a gravidade do quadro.
CIATox atende 32 municípios da região
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do Hospital Universitário de Maringá é referência para 32 municípios da 15ª Regional de Saúde e oferece orientação também por telefone.
Em caso de acidente ou necessidade de orientação, os contatos são (44) 3011-9431 e (44) 3011-9127. O atendimento presencial ocorre no Hospital Universitário Regional de Maringá, na Avenida Mandacaru, 1.590, Parque das Laranjeiras, em Maringá.
Postado em 23/09/2026