Empresas e bancos projetam economia mais fraca em 2027 e alertam para endividamento das famílias
Empresas e bancos projetam economia mais fraca em 2027 e alertam para endividamento das famílias
Grandes empresas e bancos brasileiros estão adotando uma postura mais cautelosa para 2027, diante da expectativa de crescimento econômico menor, juros ainda elevados e alto endividamento das famílias.
Levantamento realizado pela Folha de S.Paulo com companhias que fazem parte do Ibovespa mostra que executivos de diferentes setores já consideram a possibilidade de um próximo ano mais difícil para consumo, investimentos e concessão de crédito.
As projeções do Boletim Focus indicam crescimento de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, abaixo da expansão de 1,98% esperada para 2026. A expectativa é de que a Selic termine o próximo ano em 12% ao ano.
Endividamento das famílias preocupa
Um dos principais pontos de atenção é o nível de endividamento dos brasileiros. Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontam que 82% das famílias estavam endividadas em julho. Cerca de 30% apresentavam contas em atraso e 12% declaravam não ter condições de pagar as dívidas.
O problema já começa a aparecer até mesmo no pagamento de serviços básicos.
Empresas dos setores de energia e saneamento relataram aumento da inadimplência e reforço das ações de cobrança. A CPFL Energia, por exemplo, informou crescimento do índice de inadimplência e apontou os cortes no fornecimento como uma das ferramentas utilizadas para controlar o problema.
A Copasa também relatou dificuldades relacionadas ao endividamento das famílias e informou que vem ampliando mecanismos de cobrança e negociação.
Varejo sente efeito dos juros
O cenário também preocupa empresas diretamente ligadas ao consumo. Redes como Lojas Renner e Assaí mencionaram pressão sobre as compras das famílias diante da manutenção dos juros elevados.
No Assaí, a estratégia inclui redução dos investimentos e maior foco na diminuição do endividamento da própria companhia.
Empresas do setor educacional também acompanham o cenário. A Yduqs considera que 2027 poderá continuar marcado por renda apertada e elevado endividamento das famílias, embora mantenha perspectivas positivas para o segmento de educação.
Bancos também fazem alerta
No setor financeiro, executivos do BTG Pactual e Santander também sinalizaram preocupação com 2027. Entre os principais riscos apontados está o possível crescimento da inadimplência nas operações de crédito.
A Itaúsa também vem orientando empresas nas quais possui participação a elaborar planejamentos mais moderados e cautelosos diante da desaceleração da economia.
Selic elevada pesa sobre empresas e consumidores
A taxa básica de juros está atualmente em 14% ao ano, mantendo elevado o custo do crédito tanto para consumidores quanto para empresas.
Com juros altos por um período prolongado, companhias enfrentam custos maiores para financiar investimentos e administrar suas dívidas. Ao mesmo tempo, famílias comprometidas com prestações, cartão de crédito e outras dívidas passam a ter menos dinheiro disponível para consumo.
O cenário para 2027, portanto, deverá depender principalmente do comportamento da inflação, dos juros, da renda, do emprego e do endividamento das famílias.
Embora as projeções atuais ainda indiquem crescimento da economia brasileira, empresas e instituições financeiras já adotam maior cautela diante do risco de uma desaceleração mais forte do consumo e da atividade econômica no próximo ano.
Postado em 20/08/2026