Soja brasileira supera preço da americana e pressiona indústria de esmagamento
Soja brasileira supera preço da americana e pressiona indústria de esmagamento
Queda na Bolsa de Chicago não foi acompanhada pelo mercado interno, elevando os preços da soja em estados como Paraná, Mato Grosso e Goiás
A soja produzida no Brasil passou a ser negociada, em algumas das principais regiões produtoras, com preços superiores aos da soja norte-americana destinada ao mercado chinês. A análise é do estrategista sênior de Agricultura da Marex e diretor da Agrinvest Commodities, Eduardo Vanin, apresentada durante entrevista ao programa Bom Dia Agronegócio, do Notícias Agrícolas.
Segundo o especialista, a soja embarcada pelo Golfo dos Estados Unidos para entrega na China em novembro foi negociada com prêmios próximos de 300 centavos de dólar por bushel. No Brasil, entretanto, estados como Paraná, Mato Grosso, Goiás e Rio Grande do Sul registraram valores acima desse patamar.
O maior destaque é Goiás, onde os prêmios chegaram a cerca de 350 centavos de dólar por bushel acima das cotações da Bolsa de Chicago, tornando a soja goiana uma das mais caras entre os grandes exportadores mundiais.
Mercado interno descolado de Chicago
O cenário foi impulsionado por uma forte divergência entre o mercado internacional e o mercado físico brasileiro. Enquanto as cotações da soja na Bolsa de Chicago recuaram entre 50 e 60 centavos de dólar por bushel nas últimas semanas, os preços pagos aos produtores brasileiros permaneceram firmes e, em várias regiões, continuaram em alta.
Esse movimento aumentou a competitividade da soja norte-americana justamente no momento em que os Estados Unidos se preparam para iniciar os embarques da nova safra para a China, a partir de setembro.
Indústria brasileira sente pressão
A valorização da matéria-prima tem pressionado as margens da indústria nacional de esmagamento, especialmente em estados como Mato Grosso e Goiás.
Com os preços da soja em alta e as cotações do farelo e do óleo sem acompanhar o mesmo ritmo, as empresas enfrentam dificuldades para manter a rentabilidade das operações.
Diante desse cenário, o setor acompanha atentamente o comportamento das compras chinesas e os próximos leilões internacionais, que poderão influenciar a competitividade da soja brasileira nos próximos meses.
Para a indústria, a recomendação é de cautela na gestão dos estoques e no planejamento das operações de esmagamento durante o restante de 2026, diante de um mercado cada vez mais sensível às oscilações internacionais.
Postado em 04/08/2026