Varejo brasileiro se prepara para nova ofensiva da Shein
Varejo brasileiro se prepara para nova ofensiva da Shein
Com mais capital, gigante chinesa pode ampliar disputa por preços no mercado brasileiro
A aguardada estreia da Shein na Bolsa de Hong Kong, prevista para o fim do trimestre, deve aumentar a pressão sobre as grandes varejistas de moda brasileiras. Com a possibilidade de captar novos recursos no mercado, a empresa chinesa poderá ampliar sua capacidade de oferecer preços competitivos e fortalecer sua presença no Brasil.
Um relatório do BTG Pactual aponta que empresas como Renner, C&A e Riachuelo terão de investir ainda mais em diferenciação, já que competir diretamente com a Shein apenas pelo preço é considerado difícil para as redes nacionais.
A estratégia passa por produtos desenvolvidos com mais agilidade, marcas mais fortes, integração entre lojas físicas e canais digitais, personalização com inteligência artificial e melhoria da experiência do consumidor.
Brasil continua estratégico para a Shein
O mercado brasileiro segue entre os principais focos da empresa chinesa. A Shein ampliou sua atuação no país com centros de distribuição, produção local e abertura de marketplace para vendedores brasileiros.
A chamada “taxa das blusinhas”, criada em 2024 para compras internacionais de até US$ 50, ajudou a reduzir parte da diferença de preços entre produtos importados e nacionais. O imposto federal, porém, foi zerado em maio, e o governo federal voltou a discutir a possibilidade de retomada da cobrança diante do crescimento das encomendas internacionais.
O cenário já repercutiu na Bolsa. Desde maio, as ações de C&A, Riachuelo e Lojas Renner registraram quedas, enquanto o setor enfrenta preocupação com o aumento da concorrência e os efeitos do ambiente econômico.
Varejistas brasileiras buscam reagir
Apesar da pressão, as grandes redes brasileiras vêm apresentando crescimento nas vendas desde 2023 e adotando medidas para melhorar eficiência e rentabilidade.
A Renner ampliou investimentos em logística e agora trabalha com uma estrutura de capital mais eficiente. A C&A planeja novas lojas e investimentos de cerca de R$ 250 milhões em três anos, enquanto a Guararapes, dona da Riachuelo, vem reduzindo ativos considerados não essenciais.
Analistas também mantêm expectativas positivas para os resultados do segundo trimestre das três empresas, considerando que os preços das ações estão relativamente descontados.
Além da concorrência internacional, as varejistas brasileiras enfrentam o impacto dos juros elevados, do endividamento das famílias e da redução do consumo, fatores que dificultam o financiamento e pressionam as margens.
Com a expansão da Shein e sua possível capitalização por meio do IPO, o mercado de moda brasileiro deverá enfrentar uma disputa ainda maior por consumidores, especialmente em um cenário no qual preço, inovação e experiência de compra serão decisivos para as empresas.
Postado em 30/07/2026