Exportações de carne bovina para a União Europeia podem ser suspensas a partir de setembro
Exportações de carne bovina para a União Europeia podem ser suspensas a partir de setembro
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) alertou que o Brasil poderá enfrentar dificuldades para continuar exportando carne bovina para a União Europeia a partir de setembro de 2026. Segundo a entidade, o setor ainda não conseguirá cumprir, dentro do prazo, as novas exigências sanitárias impostas pelo bloco europeu relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.
De acordo com o presidente da Abiec, Roberto Perosa, a adaptação às novas regras exigirá cerca de 30 meses, o que pode resultar em uma interrupção temporária das exportações para os países europeus.
"Há uma grande possibilidade de a gente não conseguir vender mais para a União Europeia a partir de setembro e ter um período de adaptação", afirmou.
Exigências da União Europeia
Em maio, a Comissão Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano. A medida entra em vigor no dia 3 de setembro de 2026.
Segundo o bloco europeu, o Brasil ainda não atende às exigências de controle sobre o uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de criação dos animais destinados à exportação.
Embora represente entre 5% e 6% da receita das exportações brasileiras de carne bovina, o mercado europeu é considerado estratégico por adquirir cortes de maior valor agregado e influenciar a formação dos preços internacionais da carne brasileira.
Governo aponta responsabilidade do setor
Na última semana, documentos do Ministério da Agricultura encaminhados ao Congresso Nacional indicaram que parte da responsabilidade pela situação recai sobre as empresas do setor.
Segundo o governo, ao longo dos últimos três anos foram realizadas reuniões técnicas e enviados diversos ofícios solicitando que as indústrias apresentassem propostas para atender às exigências da União Europeia.
As autoridades europeias também apontaram falhas e informações incompletas encaminhadas pelo Brasil entre 2023 e 2026.
Questionado sobre a divisão de responsabilidades, o presidente da Abiec preferiu não polemizar e afirmou que o momento é de buscar soluções para adequar o setor às novas normas.
China também preocupa
Além do impasse com a União Europeia, os exportadores brasileiros enfrentam dificuldades no mercado chinês, principal comprador da carne bovina nacional.
Em 2025, o Brasil exportou cerca de 1,7 milhão de toneladas de carne para a China. Entretanto, uma nova cota estabelecida pelo governo chinês limitou os embarques a 1,106 milhão de toneladas, volume que já foi totalmente utilizado.
Com o esgotamento da cota, a tarifa de importação aplicada sobre a carne brasileira sobe de aproximadamente 12% para 67%, devido à incidência de uma sobretaxa de 55%.
Segundo a Abiec, essa situação já levou diversas empresas do setor a operarem com resultados negativos e obrigou a revisão das projeções de exportação para este ano.
Impacto no mercado interno
As restrições impostas pelos mercados internacionais também podem afetar os consumidores brasileiros.
A expectativa é de que, inicialmente, haja aumento da oferta de carne no mercado interno, o que pode favorecer uma redução nos preços. No entanto, a partir de setembro, os valores poderão voltar a subir diante da previsão de diminuição no abate de bovinos e da reorganização do mercado exportador.
Postado em 20/07/2026 - Por Noticias ao Minuto