Amizades fortalecem a saúde mental e ajudam a reduzir o estresse, alertam especialistas
Amizades fortalecem a saúde mental e ajudam a reduzir o estresse, alertam especialistas
Mais do que companhia para momentos de lazer, amizades verdadeiras podem melhorar a saúde física e emocional, reduzir a sensação de solidão e aumentar a qualidade de vida. O alerta é de especialistas em saúde mental, que destacam a importância de cultivar relações significativas em um mundo cada vez mais conectado pela tecnologia, mas nem sempre pelas relações humanas.
A discussão ganhou destaque após o Dia do Amigo, celebrado em 20 de julho, e reforça a necessidade de refletir sobre um problema crescente: o aumento da solidão, mesmo entre pessoas que mantêm centenas de contatos nas redes sociais.
Segundo a psicóloga Ligia Kaori Matsumoto, do Hospital Dia M'Boi Mirim I, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo gerenciada pelo CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas "Dr. João Amorim"), as amizades funcionam como um importante fator de proteção para a saúde.
"Um amigo é, literalmente, aquela pessoa com quem podemos contar. Ter boas amizades aumenta a percepção de segurança, confiança e motivação para enfrentar os desafios do cotidiano", explica.
De acordo com a especialista, manter vínculos de confiança não elimina os problemas da vida, mas ajuda as pessoas a enfrentá-los de maneira mais saudável.
Compartilhar preocupações, dificuldades e emoções com alguém próximo reduz a sensação de isolamento, diminui a sobrecarga emocional e fortalece a capacidade de enfrentar desafios familiares, profissionais e pessoais.
Por outro lado, pessoas que possuem uma rede de apoio fragilizada tendem a apresentar maior vulnerabilidade emocional.
Embora a ausência de amizades, por si só, não provoque transtornos mentais, ela pode aumentar o risco de desenvolver sintomas de ansiedade, depressão e sentimentos persistentes de solidão, especialmente em momentos de crise.
Especialistas explicam que as amizades desempenham um papel importante no desenvolvimento humano desde a infância.
Além de fortalecer o sentimento de pertencimento, relações saudáveis contribuem para a autoestima e estimulam a liberação de neurotransmissores ligados ao bem-estar, como dopamina e ocitocina.
Outro ponto importante é compreender que estar sozinho não significa, necessariamente, sentir-se solitário.
Enquanto o isolamento físico representa apenas a ausência momentânea de companhia, a solidão está relacionada à percepção de que faltam vínculos profundos e significativos.
Por isso, uma pessoa pode morar sozinha e sentir-se plenamente feliz, enquanto outra, cercada por familiares, colegas ou milhares de seguidores nas redes sociais, pode experimentar um intenso sentimento de vazio.
A importância das amizades permanece durante toda a vida, embora o papel desses vínculos se transforme conforme a idade.
Na infância, elas ajudam no desenvolvimento da convivência, da cooperação e do compartilhamento.
Na adolescência, contribuem para a construção da identidade e da autonomia.
Na fase adulta, o número de amigos costuma diminuir, mas as relações tendem a se tornar mais profundas e duradouras.
Já na terceira idade, manter uma rede de convivência ativa reduz o isolamento, protege contra sintomas depressivos e ajuda na preservação das funções cognitivas.
Embora aplicativos de mensagens e redes sociais facilitem o contato com pessoas que estão distantes, especialistas alertam que a interação virtual não substitui completamente o convívio presencial.
Segundo Ligia Matsumoto, o contato olho no olho, a conversa e a presença física continuam sendo fundamentais para fortalecer vínculos afetivos.
"A tecnologia é uma ferramenta importante para manter conexões, mas não substitui completamente a convivência, o olhar e a presença física", ressalta.
Especialistas orientam que pequenos gestos podem ajudar a reconstruir relações e ampliar a rede de apoio emocional.
Entre as recomendações estão:
Retomar o contato com antigos amigos;
Aceitar convites para encontros e atividades sociais;
Participar de grupos com interesses em comum;
Não ter receio de iniciar novas amizades;
Pedir ajuda quando necessário.
Para a psicóloga, afastamentos fazem parte da vida, mas não precisam ser permanentes.
"Recomeçar faz parte da vida e pode abrir espaço para novas relações."
Em um cenário marcado pelo crescimento dos casos de ansiedade, depressão e isolamento social, cultivar amizades verdadeiras pode ser um dos caminhos mais simples e também mais eficazes para promover saúde, bem-estar e qualidade de vida.
Postado em 06/08/2026