Estudo alerta que apego excessivo a animais de estimação pode estar associado a ansiedade e depressão
Estudo alerta que apego excessivo a animais de estimação pode estar associado a ansiedade e depressão
Ter um animal de estimação pode trazer inúmeros benefícios para a saúde física e emocional. No entanto, um estudo realizado por estudantes de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) indica que o apego excessivo aos pets pode estar relacionado ao aumento da vulnerabilidade emocional, ansiedade, depressão e isolamento social.
A pesquisa foi realizada de forma remota com mais de 2,6 mil participantes e analisou a forma como os vínculos entre tutores e animais de estimação influenciam o comportamento e a saúde mental.
Quando o vínculo deixa de ser saudável
Segundo os pesquisadores, a convivência equilibrada com cães e gatos costuma trazer benefícios importantes, como redução do estresse, melhora do humor e fortalecimento do bem-estar.
Entretanto, quando o animal passa a substituir as relações humanas, pode surgir o chamado "vínculo ultrafusionalmente dependente", caracterizado por uma dependência emocional intensa do tutor em relação ao pet.
De acordo com o estudo, esse tipo de relação pode favorecer sintomas como:
ansiedade;
depressão;
neuroticismo;
maior vulnerabilidade emocional;
isolamento social.
Sinais de alerta
Os pesquisadores destacam alguns comportamentos que podem indicar um relacionamento emocional desequilibrado com o animal de estimação.
Entre eles estão:
não suportar ficar algumas horas longe do pet;
reduzir o convívio social para permanecer com o animal;
sentir intensa angústia ao pensar no envelhecimento ou na morte do pet;
conversar mais com o animal do que com outras pessoas;
atribuir ao animal emoções, responsabilidades ou comportamentos exclusivamente humanos.
Segundo o estudo, esses sinais não significam, por si só, um transtorno psicológico, mas podem indicar que o vínculo está ultrapassando os limites considerados saudáveis.
Pets também podem sofrer
A pesquisa aponta que o excesso de dependência emocional pode afetar também os próprios animais.
Quando o tutor desenvolve um apego ansioso, cães e gatos podem apresentar dificuldades para lidar com a separação, desenvolvendo comportamentos relacionados à chamada ansiedade de separação, conhecida popularmente como "síndrome da ausência do dono".
Entre os sintomas observados nos animais estão:
latidos ou miados excessivos;
destruição de objetos;
agitação;
dificuldade para permanecer sozinho;
alterações no apetite e no comportamento.
Equilíbrio faz a diferença
Os pesquisadores ressaltam que a convivência saudável com animais de estimação continua sendo altamente positiva.
Quando existe equilíbrio, os pets contribuem para:
redução do estresse;
melhora da saúde mental;
aumento da socialização;
fortalecimento do sentimento de companhia;
incentivo à prática de atividades físicas.
O problema surge quando o animal passa a ocupar integralmente o espaço das relações familiares, afetivas e sociais.
Pesquisa internacional aponta dependência emocional
O tema também foi abordado pelo levantamento francês Baromètre Facco-Odoxa 2024, que mostrou que 85% dos tutores acreditam que seus animais melhoram sua saúde mental.
Por outro lado, 26% dos entrevistados afirmaram sentir algum grau de dependência emocional em relação aos pets, indicando dificuldade para se afastar deles ou enfrentar situações como viagens, internações ou até mesmo a perda do animal.
Especialistas recomendam equilíbrio
Os autores do estudo destacam que amar os animais e criar laços afetivos com eles é saudável e traz inúmeros benefícios. No entanto, manter amizades, convivência familiar e outras relações sociais continua sendo essencial para o equilíbrio emocional.
Segundo os pesquisadores, o ideal é que os animais façam parte da vida das pessoas como fonte de afeto e companhia, sem substituir completamente os vínculos humanos, fundamentais para a saúde mental e o bem-estar ao longo da vida.
Postado em 08/08/2026