Avaliação negativa do STF chega a 47% e atinge maior índice da série do Datafolha
Avaliação negativa do STF chega a 47% e atinge maior índice da série do Datafolha
Pesquisa mostra que 18% consideram atuação dos ministros ótima ou boa; maioria dos entrevistados rejeita possíveis conflitos de interesse envolvendo integrantes da Corte
A avaliação negativa do trabalho dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a 47%, o maior percentual registrado pelo Datafolha desde o início dessa série histórica, em 2019. O resultado faz parte de levantamento divulgado neste sábado (26).
Em maio deste ano, 40% dos entrevistados classificavam o desempenho dos ministros como ruim ou péssimo. Agora, o percentual subiu sete pontos.
Já 18% avaliam o trabalho do Supremo como ótimo ou bom, enquanto 31% consideram regular. Outros 4% não souberam responder. O índice positivo iguala o menor percentual da série, registrado em dezembro de 2019.
Opiniões variam conforme preferência eleitoral
O levantamento também identificou diferenças entre os eleitores dos principais candidatos à Presidência.
Entre os entrevistados que declaram voto em Lula (PT), 32% consideram o trabalho dos ministros ótimo ou bom e 24% ruim ou péssimo.
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 6% fazem uma avaliação positiva do STF, enquanto 69% classificam a atuação dos ministros como ruim ou péssima.
Conduta dos ministros também foi avaliada
O Datafolha apresentou aos entrevistados situações hipotéticas relacionadas à conduta de ministros do Supremo.
A maior rejeição foi registrada para a possibilidade de um ministro julgar processos em que um parente atue como advogado: 88% consideraram essa situação inaceitável.
Outros 85% disseram considerar inaceitável um ministro aceitar convites para eventos pagos por empresas que tenham processos no tribunal. Já 82% rejeitam decisões que beneficiem ou prejudiquem candidatos à Presidência durante o período eleitoral.
Também foram consideradas inaceitáveis pela maioria situações como ser sócio de empresa privada durante o exercício do cargo, receber pagamentos por palestras de empresas privadas e dar opiniões públicas sobre processos ainda em julgamento.
Código de ética para o STF
A pesquisa também perguntou sobre a criação de um código de ética específico para os ministros do Supremo.
Segundo o levantamento, 45% se disseram favoráveis, total ou parcialmente, enquanto 33% se declararam contrários. Outros 5% não são favoráveis nem contrários e 17% não souberam responder.
A elaboração de um código de conduta tem sido discutida durante a presidência do ministro Edson Fachin no STF, com o objetivo declarado de estabelecer parâmetros sobre conflitos de interesse, transparência e comportamento dos integrantes da Corte.
O debate ocorre em um momento de aumento da desconfiança em relação ao Supremo. Em outro levantamento recente do Datafolha, 48% afirmaram desconfiar da instituição, também o maior percentual dessa série histórica, iniciada em 2012.
Pesquisa ouviu mais de 2 mil eleitores
O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e ouviu 2.002 eleitores por meio de entrevistas presenciais.
A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-00304/2026.
Postado em 27/09/2026