Boi gordo chega a R$ 390 por arroba e mercado pode ter novas altas
Boi gordo chega a R$ 390 por arroba e mercado pode ter novas altas
Oferta restrita de animais e escalas de abate curtas pressionam frigoríficos; possível aumento dos embarques para a China entra no radar do setor
O mercado do boi gordo começa esta segunda-feira (19) com preços firmes e possibilidade de novas valorizações. A oferta limitada de animais prontos para o abate tem dificultado as compras dos frigoríficos e fortalecido o poder de negociação dos pecuaristas.
Em São Paulo, as referências de preço variam entre R$ 380 e R$ 385 por arroba, com negócios pontuais chegando a R$ 390. Apesar dessas negociações, o valor mais alto ainda não representa a referência geral do mercado paulista.
Segundo levantamentos da Agrifatto e da Safras & Mercado, as escalas de abate permanecem curtas em diversas regiões do país, concentradas entre cinco e seis dias úteis. Esse cenário indica dificuldade para garantir o volume de animais necessário para manter o ritmo de produção dos frigoríficos.
Oferta limitada mantém preços firmes
A restrição na disponibilidade de bovinos terminados, característica do período de entressafra, mantém a pressão sobre os compradores. Para os pecuaristas, o cenário pode abrir espaço para negociar valores melhores nas próximas semanas.
O analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, aponta que as escalas reduzidas continuam sustentando as cotações. Já Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, avalia que a oferta limitada ainda permite novas valorizações.
No entanto, a intensidade dos reajustes dependerá da necessidade de compra de cada frigorífico, da capacidade de repassar os custos para a carne e do comportamento da demanda interna e externa.
Veja os preços de referência da arroba
Levantamento da Safras & Mercado, divulgado em 15 de outubro, apresentou os seguintes valores para o boi gordo a prazo:
São Paulo: R$ 385 por arroba;
Goiânia (GO): R$ 365;
Uberaba (MG): R$ 370;
Dourados (MS): R$ 370;
Cuiabá (MT): R$ 350;
Vilhena (RO): R$ 365.
Os valores são referências anteriores à abertura desta segunda-feira e não representam necessariamente os preços praticados em novos negócios. Categoria dos animais, condições comerciais, localização e bonificações podem influenciar o valor final recebido pelo produtor.
China pode aumentar a disputa por animais
A demanda chinesa também está entre os fatores que podem influenciar o mercado nas próximas semanas. Segundo a análise de Fernando Iglesias, frigoríficos podem antecipar ou ampliar a produção para realizar embarques em novembro e dezembro, com chegada das cargas em janeiro, conforme as regras comerciais aplicáveis à cota chinesa de 2027.
O analista considera a possibilidade de embarques de até 400 mil toneladas de carne bovina para a China nesse período. A projeção, porém, depende das decisões das empresas e das condições que serão adotadas para as exportações.
Caso esse movimento se confirme, a necessidade de matéria-prima poderá aumentar a concorrência entre os frigoríficos e pressionar os preços do boi gordo.
Por outro lado, um ritmo mais controlado de embarques pode contribuir para um mercado mais estável, com valorizações pontuais.
Carne bovina também registra alta
No mercado atacadista, os preços da carne bovina apresentaram valorização. De acordo com a Safras & Mercado, o quarto traseiro chegou a R$ 29,50 por quilo, enquanto o quarto dianteiro atingiu R$ 22,00.
A expectativa de consumo mais forte no último trimestre do ano pode ajudar a sustentar os preços. Entretanto, a concorrência com as carnes de frango e suína pode limitar a capacidade dos frigoríficos de repassar novos aumentos ao consumidor.
Na Bolsa Brasileira (B3), o contrato futuro do boi gordo com vencimento em novembro de 2026 encerrou o pregão de quinta-feira (15) cotado a R$ 396,60 por arroba, com alta de 0,46%. Esse valor reflete o mercado futuro naquele pregão e não garante o preço de venda do animal no mercado físico.
O que o pecuarista deve acompanhar?
A combinação entre oferta restrita e escalas curtas mantém o mercado do boi gordo sustentado neste início de semana. A possibilidade de maior demanda externa, especialmente da China, também está no radar do setor.
Para o produtor rural, o principal ponto de atenção é acompanhar as propostas dos frigoríficos, a necessidade de reposição dos compradores e o valor líquido oferecido pela boiada.
Embora existam condições para novas altas, o ritmo das valorizações dependerá da disputa efetiva pelos animais disponíveis, do desempenho das exportações e da capacidade de o mercado interno absorver os preços da carne.
Postado em 19/10/2026 - Imagem ilustrativa